A família Calheiros sofreu uma derrota dupla nas eleições deste domingo, 4, em Alagoas. Com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-governador e senador Renan Filho (MDB) tentou retornar ao comando do Estado, mas perdeu a disputa para um aliado de Flávio Bolsonaro (PL). No Senado, o pai, Renan Calheiros (MDB), também não conseguiu se reeleger, com derrotados para aliados da família Bolsonaro.
O resultado encerra um dos ciclos de maior influência política da família em Alagoas. Renan Calheiros está no Senado desde 1995 e buscava o quinto mandato na Casa. Com a derrota, deixará o Congresso ao fim do atual mandato, no início de 2027. Ele presidiu o Senado em quatro ocasiões e se consolidou ao longo de décadas como uma das principais lideranças do MDB no país.
Na disputa pelo Senado, Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB) conquistaram as duas vagas de Alagoas. A vitória de Lira tem peso especial porque ele foi um dos principais adversários políticos dos Calheiros no Estado. Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Lira deixa a Casa Baixa após quatro mandatos consecutivos e passará a integrar o Senado a partir de 2027.
Na disputa pelo governo de Alagoas, Renan Filho perdeu para JHC (PSDB), ex-prefeito de Maceió. A disputa foi marcada pela polarização entre os dois grupos políticos. Renan Filho contou com o apoio de Lula, que esteve em Maceió durante a campanha. JHC, por sua vez, recebeu o apoio de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência.
Embora o resultado das urnas reduza a presença direta da família Calheiros no Congresso, Renan Filho continuará no Senado. Ele foi eleito em 2022 e tem mandato até 2030. Nos primeiros quatro anos, porém, ele esteve no Ministério dos Transportes de Lula.