Em busca de cativar o voto do eleitorado feminino, o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, apresentou o que seria um grande pacote de propostas voltado a mulheres que pretende tocar caso seja eleito nas eleições gerais de outubro. Conforme explicado em live ao lado de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa do governo Bolsonaro, nesta quinta-feira, 16, o Plano Brasil por Elas inclui a expansão do acesso de internet para mulheres, a criação de uma plataforma que unifique frentes de proteção contra a mulher, e uma "amiga virtual" de IA. Flávio fala, até mesmo, em celulares de graça.
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Flávio diz que quer garantir acesso à internet para 70 milhões de mulheres e cita a possibilidade de que sejam distribuídos aparelhos celulares de graça para o publico feminino e idosos. Segundo ele, a ideia já está sendo articulada junto a operadoras de telefonia móvel.
Garantir internet de graça é uma etapa importante considerando o restante do plano que Flávio divulgou. Com as mulheres conectadas, Flávio quer criar uma plataforma integrada ao Gov.br, que chama de 'Central da Mulher', para unificar serviços para mulheres. Unindo desde programas de renda e crédito até meios de denunciar violência.
O senador também fala na MarIA, nome dado para uma assistente virtual de inteligência artificial que tem como proposta ser uma "amiga virtual" das mulheres. Por meio da ferramenta, em comunicação escrita ou falada --que tem como promessa até mudar de sotaque entre as regiões do Brasil --, Flávio quer que seja possível que a mulher marque exames, consiga abrir empresas, encontre cheche para os seus filhos ou negocie créditos para empreender, por exemplo.
No total, conforme anunciou, serão 12 medidas. O Terra acionou a assessoria do pré-candidato em busca de maior detalhamento sobre os projetos e aguarda retorno.
Ao longo da live, no intuito de se tornar mais próximo do publico feminino, Flávio contou diversas histórias sobre sua esposa e sobre como cuida de suas filhas. Pautas frequentes no bolsonarismo como ideologia de gênero e o papel de submissão da mulher também foram levantadas por ele e Daniella.
O senador também disse, mais de uma vez, que a pauta das mulheres é uma pauta da direita. "Defender mulher de covarde vagabundo é pauta de direita", disse em um dos trechos. Em outro momento, negou ser "feministo".
Daniella Marques, que colabora com a pré-campanha de Flávio, foi apresentada como coordenadora do Plano Brasil por Elas. Flávio ainda não tem quem será seu vice definido, mas deixou claro que será uma mulher. Entre os nomes cotados nos bastidores há o de Daniella -- assim como circula entre as possibilidades a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP).
A movimentação acontece em meio a tensões de Flávio com a madrasta, Michelle Bolsonaro. Mas, para além da briga familiar, conquistar o público feminino sempre foi uma das prioridades de sua campanha, como já citado pelo presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, em situações passadas. Para Valdemar, a falta de representatividade feminina custou a reeleição de Bolsonaro em 2022 e o partido não pode cometer o mesmo erro.
As mulheres são maioria do eleitorado brasileiro. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base em dados das Eleições Municipais de 2024, são 81.806.914 eleitoras no país, o que equivale a 52,47% do total de eleitores.
O Brasil por Elas é divulgado após o Brasil Sem Medo, que pretende adotar medidas urgentes como declarar facções como "organizações narcoterroristas", reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos, criar novos presídios de segurança máxima e mais.