Apenas nove dos 22 ex-ministros do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram eleitos neste domingo, 4, para o Legislativo. Entre eles, Geraldo Alckmin (PSB) continua na disputa pelo cargo de vice-presidente, na chapa com o petista, que irá para o segundo turno das eleições.
De 30 ex-ministros de Lula, 22 foram candidatos nestas eleições. A lista tem Alckmin, atual vice-presidente, que ocupou o cargo de ministro do Desenvolvimento, Comércio e Serviços. A lei obriga qualquer ocupante de cargo público a deixar o cargo até abril do ano eleitoral para concorrer a outro cargo. No caso de Lula e Alckmin, que disputam a reeleição, é permitido permanecer.
Lula incentivou que ministros fossem candidatos, apesar de precisar repor as cadeiras deixadas para trás. A ideia era criar palanques mais robustos nos estados e formar uma base mais sólida de apoiadores no Congresso, caso seja reeleito.
Lula e Alckmin disputam o segundo turno das eleições à Presidência contra Flávio Bolsonaro (PL) e o vice Alfredo Gaspar (PL), no próximo dia 25.
Governos Estaduais e Senado
O ex-ministro de Transportes de Lula, Renan Filho (MDB), foi candidato a governador em Alagoas, e teve 47,37% dos votos, mas não foi o suficiente para vencer JHC (PSDB) que alcançou 52,20% no estado.
Em São Paulo, a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), deixou para trás Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda e o vice Márcio França (PSB), ex-ministro do Empreendedorismo do governo Lula.
Oito ex-ministros tentaram o Senado, mas só três venceram. Em São Paulo, os candidatos apoiados por Flávio Bolsonaro para o Senado derrotaram Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) assumem as duas vagas pelo estado.
Gleisi Hoffmann (PT) também perdeu a disputa no Paraná. A ex-ministra das Relações Institucionais de Lula perdeu para Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo). Dallagnol venceu um dia após ter a candidatura cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decisão revertida pelo presidente da corte, o ministro Nunes Marques.
O ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP) foi eleito senador pelo Maranhão. Ele já foi alvo de polêmica ao se manter no governo mesmo contra seu partido. Fufuca foi ameaçado de punição, mas ficou do lado de Lula e teve a estratégia aprovada pelos eleitores de seu estado.
Na Bahia, o ex-chefe da Casa Civil Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT), ex-líder do governo no Senado, ocupam as cadeiras do estado.
Em Mato Grosso, Carlos Fávaro (PSD), que comandou o Ministério da Agricultura e Pecuária, perdeu para Mauro Mendes (União) e Zé Medeiros (PL).
O Pará também não elegeu o ex-ministro do Turismo, Celso Sabino (União). Ele perdeu a vaga para Helder Barbalho (MDB), que apoiou Lula, e Delegado Éder Mauro (PL), aliado de Flávio.
Apesar de chegar a um ministério motivado pelo trabalho para reconstruir o Rio Grande do Sul após as enchentes que destruíram o estado em 2024, Paulo Pimenta (PT) não foi eleito no estado. A oposição, formada por Sanderson (PL), e Marcel van Hattem (Novo), foi eleita no RS, e o ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, amargou um quarto lugar.
Deputada estadual
A ex-ministra dos Direitos Humanos Macaé Evaristo (PT) foi a única a tentar uma vaga na Assembleia Legislativa, e foi eleita deputada estadual de Minas Gerais.
Deputados federais
Dos nove ex-ministros que disputaram vagas na Câmara dos Deputados, seis saíram vitoriosos:
Anielle Franco (PT-RJ), ex-ministra da Igualdade Racial.
Jader Barbalho Filho (MDB-PA), ex-ministro das Cidades.
Juscelino Filho (PSDB), ex-ministro da Comunicação.
Nísia Trindade (PT-RJ), ex-ministra da Saúde.
Sílvio Costa Filho (Republicanos-PE), ex-ministro dos Portos e Aeroportos.
Sônia Guajajara (PSOL-SP), ex-ministra dos Povos Indígenas.
O ex-ministro da Educação e senador Camilo Santana (PT) deixou a pasta para coordenar a campanha de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT-CE), sem concorrer a nenhum cargo. Camilo, que já governou o Ceará, ajudou o conterrâneo a vencer no primeiro turno.
Edinho Silva (PT), ex-ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom), foi eleito deputado federal por São Paulo. Marcelo Freixo (PT), que ocupava o cargo de presidente da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) até março, também foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro.
Derrotados
Três ex-ministros saíram derrotados da disputa pela Câmara dos Deputados:
- Daniela Carneiro (Republicanos-RJ), Turismo
- Márcio Macêdo (PT-SE), Secretaria-Geral da Presidência
- Paulo Teixeira (PT-SP), Desenvolvimento Agrário