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Estudantes da USP invadem prédio da reitoria durante manifestação; PM está no local

Vídeo mostra que alunos chegaram a quebrar um portão do edifício; USP lamentou a 'escalada de violência' e diz que acionou a Polícia Militar, que também adentrou o prédio para evitar que os estudantes ocupassem outros espaços. SSP-SP não se manifestou

7 mai 2026 - 18h33
(atualizado às 20h10)

Estudantes da Universidade de São Paulo (USP), que estão em greve desde o dia 14 de abril, invadiram o prédio da reitoria da instituição na tarde desta quinta-feira, 7. A invasão ocorreu durante um ato de manifestação na Cidade Universitária, campus da USP localizado no Butantã, zona oeste na capital paulista.

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Um vídeo enviado à reportagem mostra uma grande quantidade de alunos adentrando o prédio, empunhando bandeiras e segurando bastões de fumaça. Enquanto invadem o espaço, eles cantam em direção ao reitor da USP, Aluísio Segurado: "Ô, Aluísio, preste atenção, o seu palácio vai virar ocupação".

Grevistas invadem prédio da Reitoria da USP e Polícia Militar é acionada para controlar situação.
Grevistas invadem prédio da Reitoria da USP e Polícia Militar é acionada para controlar situação.
Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

Ainda conforme as imagens, gravadas por um dos alunos, é possível ver um dos portões da reitoria sendo derrubado pelos manifestantes. Um estudante chega a gritar: "Vai quebrar! Quebrou!".

Em outro vídeo, os estudantes passam pelo jardim do prédio e conseguem tombar duas vidraças que dividem a área externa do edifício da parte interna. Com os vidros quebrados, os alunos conseguem acessar o hall da reitoria.

O ato foi organizado e convocado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE). O grupo estima que cerca de 500 alunos estejam participando da manifestação.

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Policiais Militares se posicionam dentro do prédio para impedir que os alunos ocupem outros espaços
Foto: Lara Musa/Estadão / Estadão

Em nota, a USP disse lamentar a "escalada de violência" que "levou à invasão do prédio principal da Reitoria por manifestantes, com danos ao patrimônio público".

A universidade diz que acionou a Polícia Militar, que também se posicionou dentro do prédio para evitar que os estudantes ocupassem outros espaços do local.

A reportagem apurou que os agentes estão posicionados em uma área no primeiro piso do prédio, mas separado dos alunos por uma parede de vidro. Eles fazem um cordão de contenção, sem contato direto com os grevistas.

"Em toda a ação, serão priorizadas a segurança e a integridade física de todos os envolvidos", diz a USP, que destaca que outras unidades da universidade, como institutos, museus e órgãos de administração, estão com as suas atividades regulares.

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O Estadão procurou a Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP-SP), que informou que a PM acompanha a mobilização.

Portão do prédio da reitoria foi derrubado pelos estudantes durante o ato de manifestação
Foto: Lara Musa/Estadão / Estadão

Os alunos pedem por melhorias nos programas de permanência estudantil e têm criticado questões estruturais da universidade, como o Restaurante Universitário e também o Hospital das Clínicas (HC), que, conforme os manifestantes, perdeu cerca de 30% de seu quadro de funcionários na última década.

A reitoria chegou a abrir rodadas de negociação com o alunos. Mas, como a proposta não foi acatada pelos grevistas, os pró-reitores negaram a se encontrar novamente com os discentes para novas conversas.

Mais cedo, os manifestantes bloquearam a entrada do prédio por meio de um cordão humano, pressionando a reitoria para reabrir as negociações. Depois, reagendaram um novo ato para as 14h desta quinta, que acabou desembocando na invasão.

Divergências

O principal ponto de divergência entre os alunos e a reitoria é o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE), principal política de assistência socioeconômica da universidade.

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Atualmente, os benefícios variam entre cerca de R$ 330 para estudantes com moradia e R$ 885 mensais para auxílio integral, além da gratuidade nos restaurantes universitários.

A USP propôs um reajuste baseado no índice IPC-FIPE. Com isso, o valor integral passaria para R$ 912 mensais, enquanto o auxílio parcial com moradia subiria para R$ 340. Os estudantes, no entanto, reivindicam que o benefício seja equivalente ao salário mínimo paulista, atualmente em R$ 1.804, além da ampliação do programa.

Segundo a reitoria, o PAPFE atendeu 17.587 estudantes de graduação e pós-graduação em abril. O orçamento previsto pela universidade para 2026 destinado a auxílios, bolsas, moradia estudantil, restaurantes universitários, esporte e assistência à saúde é de R$ 461 milhões.

As condições dos restaurantes universitários também estão entre as principais reclamações dos estudantes. Nos últimos meses, alunos relataram problemas recorrentes de qualidade da alimentação, incluindo denúncias de comida estragada e presença de larvas no restaurante da Faculdade de Direito.

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A greve teve como estopim a criação da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Gace), um bônus destinado a docentes. Após pressão e mobilização dos servidores, que também reivindicavam uma melhoria salarial, a categoria teve a demanda atendida e entrou em um acordo para encerrar a paralisação.

Já os estudantes decidiram manter o movimento grevista e ampliar as reivindicações ligadas à permanência estudantil. / COLABORARAM RARIANE COSTA E GONÇALO JÚNIOR

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