O deputado estadual Thiago Rangel foi preso nesta terça-feira (5) durante a quarta fase da Operação Unha e Carne. A ação é conduzida pela Polícia Federal e visa combater esquemas de fraudes em procedimentos de compras e serviços públicos. As investigações apontam diversas irregularidades em reformas escolares no âmbito da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro. As denúncias foram reveladas por reportagens do telejornal RJ2. O Ministério Público do estado e o Tribunal de Contas também vinham acompanhando o caso. Agentes saíram às ruas para cumprir mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão. As ordens foram expedidas diretamente pelo Supremo Tribunal Federal.
Fraudes em contratos da Educação
As apurações demonstraram que as contratações realizadas por escolas vinculadas à Diretoria Regional Noroeste da Seeduc foram direcionadas. Segundo a Polícia Federal, esta região é uma zona de influência política de Rangel. Os contratos eram fechados com empresas previamente selecionadas que integravam um esquema criminoso. Os investigados poderão responder pelos crimes de peculato, fraude à licitação, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Em nota oficial, a defesa do deputado negou a prática de qualquer ato ilícito. Os representantes afirmaram que prestarão todos os esclarecimentos necessários nos autos da investigação em curso.
Conexões com o crime organizado
O caso ganhou novos contornos ao se conectar com investigações anteriores sobre o vazamento de informações sigilosas de ações policiais. A primeira fase da operação ocorreu em dezembro do ano passado e teve como alvo o deputado Rodrigo Bacellar. Naquela ocasião, Bacellar foi acusado de vazar dados sobre uma ação contra o Comando Vermelho. O principal beneficiado pelo vazamento teria sido Thiego Raimundo de Oliveira Santos, também conhecido como TH Joias. Ele é apontado como um dos articuladores da facção criminosa e acabou preso na operação. Bacellar chegou a ser preso por decisão do ministro Alexandre de Moraes. Ele foi solto dias depois após uma deliberação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
Desdobramentos das investigações
A segunda etapa da operação aprofundou as investigações sobre a origem dos vazamentos de dados. Os agentes prenderam o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto sob a suspeita de repassar informações sigilosas ao deputado. O material, por sua vez, teria sido transmitido para o articulador da facção criminosa. A terceira fase resultou em uma nova prisão de Bacellar, após a cassação do seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral. A Procuradoria-Geral da República apresentou uma denúncia formal que aponta uma cadeia de proteção institucional ao crime organizado. As apurações continuam para identificar todos os participantes da rede de corrupção.