O que estão compartilhando: um vídeo que mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebendo pessoas desembarcando de um avião. Postagens afirmam que a Operação Acolhida, do governo federal, estaria pagando R$ 7 mil por mês e dando moradia a refugiados muçulmanos da Palestina e de outros países.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. As imagens, na verdade, mostram Lula recepcionando brasileiros que foram resgatados do Líbano em 6 de outubro de 2024, durante a Operação Raízes do Cedro, do governo federal.
A Operação Acolhida foi criada para responder ao fluxo migratório na fronteira entre o Brasil e a Venezuela, no estado de Roraima. Desde 2016, a região passou a receber um volume crescente de venezuelanos em situação de vulnerabilidade.
O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) informou ao Verifica que não existe qualquer operação específica voltada à recepção de pessoas com base em religião. Também não existe pagamento mensal de R$ 7 mil ou garantia de moradia gratuita para refugiados com base em religião ou nacionalidade.
Saiba mais: na postagem, que tem 62,2 mil curtidas no Instagram, um homem afirma que o vídeo mostrado é da Operação Acolhida e que o Brasil está trazendo muçulmanos para morar no Brasil.
Ele acrescenta que o presidente teria dito que o País não tem mão de obra e que tem muito emprego sobrando porque o brasileiro não quer trabalhar, mas não há registro de que Lula tenha feito tal declaração.
De acordo com o MDS, as políticas públicas voltadas a migrantes e refugiados no Brasil seguem critérios legais e humanitários. O objetivo é assegurar acesso a serviços públicos e oportunidades de integração, sem concessão de benefícios como os citados no post.
Refugiados e imigrantes têm direito de se inscrever no Cadastro Único e de ser atendidos pelo Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Isso significa que, se atenderem aos requisitos legais do programa, essas pessoas podem ser beneficiárias do Bolsa Família.
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Vídeo mostra brasileiros voltando do Líbano
As imagens do post mostram o primeiro avião enviado em 2024 pela Força Aérea Brasileira (FAB) para resgate de brasileiros no Líbano, onde estavam ocorrendo bombardeios diários lançados por Israel.
A aeronave pousou na Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos, às 10h25 de 6 de outubro de 2024. O voo partiu de Beirute às 13h18 (horário de Brasília) do dia 5 e trouxe 229 repatriados, sendo 219 adultos e 10 crianças de colo. Duas cidadãs do Uruguai também estavam a bordo, a pedido do governo vizinho.
A recepção feita por membros do governo, incluindo o presidente, foi registrada em vídeos pelo Canal Gov e por veículos de imprensa, como Poder360, CNN, Globo e Jovem Pan.
Segundo o governo federal, até o final de 2024, foram resgatadas 2.662 pessoas da zona de conflito no Oriente Médio em 13 voos.
Operação Acolhida atende venezuelanos
A Operação Acolhida, citada no post, foi criada em 2018, durante o governo de Michel Temer (MDB). O objetivo era fazer a interiorização de migrantes venezuelanos que chegavam em Roraima. O governo visava permitir que essas pessoas tivessem melhores oportunidades e reduzir a pressão sobre os serviços públicos naquela região.
Atualmente, a operação oferece abrigos em outros Estados ou apoio para que os migrantes se juntem a familiares e amigos que já residem em outras regiões do país e que tenham condições de oferecer apoio e moradia a quem chegou.
Outra medida é a ação de Vaga de Emprego Sinalizada (VES), que garante o deslocamento para migrantes e refugiados que receberam oportunidades de trabalho de empresas brasileiras em todas as regiões do País.