Business Rock debate a nova era dos artistas brasileiros

Ex-atores da televisão tradicional transformam carreiras em negócios próprios e reforçam a ascensão do empreendedorismo cultural no país

23 jun 2026 - 14h14

De acordo com o Ministério da Cultura, o avanço da economia criativa tem levado artistas brasileiros a ampliar seus modelos de atuação profissional. Esse movimento ganhou destaque no talk show Business Rock, exibido pelo SBT e apresentado por Sandrão, que recebeu, em episódios distintos, a atriz, produtora e empreendedora Mariana Xavier e o cantor, comunicador e dublador Dinho Marciano.

Foto: Arquivo pessoal / DINO

De acordo com ambos os bate-papos, as duas trajetórias, embora construídas em universos diferentes, convergem para um mesmo fenômeno: a transformação dos artistas em gestores dos próprios negócios, capazes de construir projetos independentes, ampliar sua relevância social e criar novas fontes de receita em um mercado cada vez mais descentralizado.

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A expansão da economia criativa no Brasil

O tema acompanha a expansão da economia criativa no país. Segundo o Mapeamento da Indústria Criativa 2025, elaborado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o setor movimenta R$393,3 bilhões e representa 3,59% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, empregando aproximadamente 1,26 milhão de trabalhadores formais.

Segundo análise do portal Globo Gente sobre a transformação do mercado audiovisual brasileiro, somada às mudanças promovidas pelo fim gradual dos contratos de exclusividade nas grandes emissoras e ao fortalecimento das produções independentes, os profissionais do setor têm ampliado seus modelos de atuação e diversificado suas fontes de renda e projetos.

Mariana Xavier: expansão artística e empresarial

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No caso de Mariana Xavier, o teatro tornou-se uma plataforma de expansão artística e empresarial. Em cartaz há quatro anos com o monólogo "Antes do Ano Que Vem", a atriz percorreu 33 cidades em 14 estados brasileiros, utilizando a arte para fomentar debates sobre saúde mental, ansiedade, depressão, desigualdade social e representatividade.

Durante a entrevista, Mariana explicou que produzir seus próprios projetos lhe permitiu ultrapassar limitações historicamente impostas pela televisão.

"Eu tenho muitos colegas, atores e atrizes, que acabaram indo pelo mesmo caminho que eu fui, que é o caminho de produzir seus próprios projetos de teatro, porque, no teatro, e produzindo os nossos próprios projetos, a gente consegue se dar as oportunidades que o mercado não nos dá".

A atriz destacou o impacto econômico da cadeia produtiva da cultura, que vai muito além dos profissionais que aparecem no palco.

"Acho muito importante a gente falar da importância do coletivo, que é imprescindível para que as coisas se realizem, porque não é só quem está fazendo o espetáculo. É o motorista de aplicativo que vai levar o espectador para lá, é o cara da pipoca na frente, é a galera do teatro, é a bilheteira, é a faxineira, é o hotel que hospeda a equipe quando a gente vai para uma outra cidade, é a passagem aérea. Então muitas vezes as pessoas não pensam quanto da economia se movimenta através de um projeto cultural, que tem uma atriz em cena", diz Mariana.

A defesa da representatividade também permeou a conversa. "No início da minha carreira, aceitei papéis que reforçavam estereótipos negativos porque não havia outras opções. Passei por constrangimentos, como pessoas me fazendo brincadeiras de mau gosto e demonstrando gordofobia aberta. Sou grata pela visibilidade que esses papéis me deram, mas hoje o debate sobre gordofobia e saúde mental evoluiu bastante. Atualmente, recuso personagens que perpetuam preconceitos, embora saiba que atrizes iniciantes muitas vezes não tenham essa liberdade de escolha", acentua.

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Dinho Marciano: transformação da vivência periférica em uma plataforma de desenvolvimento cultural

Dinho Marciano representa outra faceta dessa reinvenção. Músico, apresentador e dublador, o artista consolidou uma trajetória que transita entre música, audiovisual, comunicação, produção cultural e impacto social. Natural do Capão Redondo, São Paulo, Dinho transformou sua vivência periférica em uma plataforma de desenvolvimento cultural. Atualmente, mantém um estúdio independente dedicado ao fortalecimento de bandas e artistas emergentes da região.

Ele conta, durante sua participação no Business Rock, que ao longo da carreira, precisou superar barreiras burocráticas, preconceitos sociais e a falta de oportunidades institucionais, além de se reinventar diversas vezes para construir uma trajetória sustentável.

"Mesmo tendo a história que eu tive, eu não tinha onde recorrer e falar: 'Gente, me ajuda, eu tenho um talento, tenho uma carreira e as portas estão se fechando'. Então foi muito difícil. Tive que me reinventar. Mas foi onde eu percebi que, se eu ficasse na onda de ser só um talento, nada contra, mas eu seria limitado", confessa o artista.

Sua atuação, hoje, combina música, produção artística e educação, sem abrir mão da valorização da sensibilidade humana em um cenário cada vez mais impactado pela inteligência artificial.

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"A arte, a música em si, se tornou algo muito: 'Ah, eu quero ser famoso, eu quero me ostentar', mas a arte é o futebol que o Pelé jogava nos anos 70, a arte é o basquete do Michael Jordan, são os Racionais, é a música brasileira, também muita coisa gringa, que as pessoas faziam e não sabiam o que iam comer no outro dia", expressa. Seu EP Modo Avião tem como objetivo buscar a desconexão do mundo digital e fazer música de "forma analógica, usando as ferramentas a nosso favor, e não ser uma vítima". Ele valoriza o sentimento na arte e critica a falta desse sentimento diante dos avanços tecnológicos, como a inteligência artificial.

Business Rock apresentando a mudança estrutural no papel dos profissionais da cultura

Para Sandrão, idealizador e apresentador do talk show Business Rock, as histórias de Mariana Xavier e Dinho Marciano ilustram uma mudança estrutural no papel dos profissionais da cultura.

"O Business Rock nasceu para mostrar que cultura, empreendedorismo e desenvolvimento humano caminham juntos. Hoje, artistas não são apenas intérpretes; são líderes, empreendedores, construtores de comunidades e agentes de transformação social", finaliza o apresentador, além de acrescentar que o programa tem como missão aproximar diferentes setores da economia e ampliar o debate sobre o futuro das carreiras no Brasil.

Website: https://www.instagram.com/businessrocksandrao/

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