O ministro Flávio Dino, do STF, ordenou que a Polícia Federal investigue uma suposta interferência estrangeira nas eleições brasileiras. A apuração foca no uso de algoritmos da Meta e do X para favorecer o candidato Flávio Bolsonaro em detrimento de Lula, além de apurar suspeitas de financiamento externo ilegal pela Rockbridge Network. Dino destacou a necessidade de apurar se o apoio eleitoral estrangeiro visava interesses econômicos em terras raras e minerais críticos do Brasil.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal abra um inquérito para investigar uma possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras, nas quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito para um quarto mandato.
A decisão do magistrado aponta a suspeita de que algoritmos de plataformas digitais teriam sido utilizados para favorecer o candidato derrotado, Flávio Bolsonaro (PL), e prejudicar Lula, vencedor do pleito realizado no último domingo (25). A investigação envolve as gigantes de tecnologia Meta, proprietária do WhatsApp, Facebook e Instagram, e a plataforma X, controlada pelo empresário Elon Musk.
A Meta, empresa liderada por Mark Zuckerberg, foi alvo de reclamações da campanha de Lula relacionadas ao alcance de publicações e ao funcionamento de ferramentas de inteligência artificial (IA). A equipe do petista chegou a acusar a companhia americana de impor restrições que, segundo a campanha, beneficiariam seu adversário.
Dino também incluiu no escopo da investigação a suspeita de financiamento estrangeiro de campanha. Nesse contexto, citou a Rockbridge Network, que estaria envolvida em negociações para direcionar apoio financeiro à campanha do senador carioca.
"Não se admite a interferência, direta ou indireta, de Estado estrangeiro sobre assuntos submetidos à soberania do Brasil, tampouco a produção, em território nacional, de efeitos decorrentes de atos unilaterais estrangeiros à margem dos mecanismos constitucionalmente previstos", afirmou o ministro do STF.
No documento, o magistrado também ressaltou a necessidade de "esclarecer o possível vínculo entre apoio eleitoral e o interesse econômico de agentes estrangeiros nas terras raras e nos minerais críticos brasileiros".
O ministro mencionou preocupações levantadas por observadores da Organização das Nações Unidas (ONU) que atuaram durante o pleito e levantou a possibilidade de terras raras podem ter sido ofertadas em troca. .