SP, RJ, BA e outros estados têm denúncias de falhas nos transportes para votar; STF autoriza prorrogação

O segundo turno das eleições presidenciais no Brasil é perturbado por denúncias de transtornos nos transportes públicos neste domingo (25), atrapalhando o voto de eleitores. Às 17h, hora prevista para o fechamento das urnas, o ministro do STF Cristiano Zanin determinou a prorrogação por mais duas horas da votação em todo o país. Em todo o território nacional, os transportes devem ser gratuitos neste dia de votação e operar normalmente, com a mesma frequência de dias úteis, conforme determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em São Paulo, o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, demonstrou indignação e pediu a prolongação do horário de votação.

25 out 2026 - 17h27
(atualizado às 17h32)
Resumo
Pelo menos dez estados relataram falhas graves no transporte público no dia da votação, descumprindo determinação do STF para frota integral e gratuita. Em capitais como São Paulo e Salvador, eleitores enfrentaram longas esperas e retenção de ônibus, motivando caronas solidárias e ações judiciais. O presidente Lula criticou o desfalque, e o PT pediu a prorrogação do pleito, enquanto o TSE afirmou agir para corrigir as dificuldades operacionais antes do fechamento das urnas.

A menos de uma hora do fim do horário de votação, havia relatos de problemas em pelo menos 10 estados do país, como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Sergipe e Paraíba. Grupos de carona solidária se formaram no WhatsApp para viabilizar o deslocamento de eleitores que ainda não tinham conseguido votar.

Pessoas aguardam ônibus em terminal rodoviário em Salvador, durante o segundo turno da eleição. O presidente Lula afirmou que muitas pessoas foram "impedidas de votar" devido a problemas nos transportes.
Pessoas aguardam ônibus em terminal rodoviário em Salvador, durante o segundo turno da eleição. O presidente Lula afirmou que muitas pessoas foram "impedidas de votar" devido a problemas nos transportes.
Foto: AFP - ANTONELLO VENERI / RFI

Na capital paulista, usuários relataram esperas de mais de uma hora por ônibus em direção a vários bairros, principalmente da zona leste, onde não circula metrô. Em grandes terminais, a diferença em relação a um dia útil era evidente, com dezenas de ônibus parados e longos intervalos entre as partidas. 

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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, é aliado de Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Esperei por 1h05 por um ônibus que pego no início da linha, ou seja, nem podem alegar que estava com problema no trânsito. No aplicativo da SPTrans, marcava que cinco ônibus passariam neste período", disse a usuária Luciana.

Lula fala em 'banditismo'

"É explicável uma coisa dessas numa cidade como São Paulo. Falam que só vem acontecendo em cidadezinhas, mas estamos em São Paulo", criticou Lula, candidato à reeleição, ao anunciar que o PT entrou com um pedido de prorrogação do horário de votação nas cidades onde os transtornos foram constatados. As urnas fecham às 17h em todo o país. 

A peça do PT afirma que apenas 60% dos veículos estariam circulando em São Paulo. "Não vamos aceitar banditismo, mau caratismo nem de governador, nem de prefeito, nem de empresário", denunciou Lula.

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A SPTrans alegou neste domingo "desafios operacionais" para garantir o cumprimento da ordem de Justiça emitida na sexta-feira (23) para que 100% da frota estivesse nas ruas. 

Problemas em Salvador 

Na Bahia, pelo menos 75 ônibus foram impedidos de sair da garagem nesta manhã em Salvador por estarem com adesivos de apoio à candidatura de Lula. O PT denunciou o caso ao TRE-BA, que emitiu ordem de prisão do secretário Municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, e o restabelecimento imediato de 100% da frota, em operação equivalente à dos dias úteis.

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), declarou que os problemas foram causados por "questões operacionais nas garagens e mobilizações".

Resposta não sai antes do fechamento das urnas

A gratuidade e frequência normal dos ônibus municipais e intermunicipais em todo o país nos dias de eleição foram determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2023, após uma série de problemas no deslocamento de eleitores às urnas nas eleições de 2022. É responsabilidade das prefeituras e governos estaduais garantir o cumprimento da medida.

O Tribunal Superior Eleitoral e o STF analisam os pedidos de adiamento, mas não respondem antes das 17h, horário do fechamento das urnas no Brasil. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, declarou, a pouco mais de uma hora antes do fim da votação, que "a dificuldade no transporte já está sendo corrigida".

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