O ministro Gilmar Mendes, do STF, decidiu que o reajuste de 15,04% no Bolsa Família concedido pelo governo Lula não viola a lei eleitoral, mesmo anunciado a dias do primeiro turno. O magistrado destacou que a medida apenas repõe as perdas da inflação pelo INPC em um programa já existente, sem criar novos benefícios. A correção elevará o piso para R$ 691 e terá impacto fiscal de R$ 5,8 bilhões neste ano, contrariando pedido de suspensão apresentado ao TSE sob alegação de desequilíbrio no pleito.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta sexta-feira que o reajuste concedido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Bolsa Família a menos de 20 dias do primeiro turno da eleição presidencial é regular e não fere a legislação eleitoral.
Na decisão proferida em resposta a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), o magistrado afirma que a utilização do INPC como critério utilizado para o reajuste em 15,04% não viola as proibições previstas na legislação eleitoral e apenas recompõe a inflação.
O ministro também faz questão de diferenciar a correção promovida pelo governo Lula do aumento concedido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, também às vésperas das eleições de 2022, o qual "previu a ampliação temporária de benefícios, criação de novas prestações, antecipação do calendário de pagamentos e expressivo aumento do número de famílias atendidas -- tudo restrito ao período de agosto a dezembro de 2022, ano eleitoral".
"A providência adotada corresponde, portanto, à atualização periódica dos valores prevista no marco legal que disciplina atualmente a política pública e que já foi reconhecido por esta corte como instrumento de concretização da ordem proferida nestes autos", diz Gilmar, na decisão desta sexta-feira.
"Além disso, a medida não importa criação de novo benefício, alteração dos critérios de elegibilidade ou ampliação do universo de beneficiários. Trata-se apenas de atualização dos valores das prestações integrantes de programa social já existente, mediante critério objetivo de correção monetária."
Com o reajuste anunciado, o piso do Bolsa Família passará de R$600 para R$691, enquanto o valor médio do benefício do programa irá para R$777. Segundo cálculos da equipe econômica do governo Lula, o impacto fiscal será de R$5,8 bilhões neste ano e de R$22 bilhões no ano que vem.
O governo, que disse que enviará ao Congresso mensagem alterando a lei orçamentária de 2027 para incluir o reajuste, afirmou que a medida não gerará aumento de despesas, mas sim remanejamento, e que há espaço fiscal para conceder o reajuste.
Na quinta-feira, o candidato à Presidência pelo Missão, Renan Santos, pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que suspendesse o reajuste de 15% nos benefícios do Bolsa Família sob o argumento de que a medida, tomada a menos de 20 dias do primeiro turno da eleição presidencial, é ilegal, inconstitucional e "desequilibra definitivamente o pleito".