Prometidas eleições na Venezuela enfrentam longos atrasos, dizem fontes

25 set 2026 - 20h45
(atualizado em 26/9/2026 às 13h09)
Resumo
As prometidas eleições na Venezuela podem atrasar até o fim de 2027 ou mais, apesar do discurso de transição democrática da presidente interina Delcy Rodríguez. Os entraves envolvem a complexa reforma da Suprema Corte e do Conselho Eleitoral, além de pendências operacionais. Críticos apontam que os EUA, focados em acordos sobre o petróleo venezuelano e na estabilidade econômica, reduziram a urgência por um pleito imediato e deixaram de lado líderes da oposição como María Corina Machado.

A tão esperada ‌votação na Venezuela pode não ocorrer por um ano ou mais devido às reformas previstas nos tribunais e nas autoridades eleitorais, disseram cinco fontes políticas e analistas, apesar da promessa da presidente interina Delcy Rodríguez de uma transição para a "democracia plena".

Rodríguez, que assumiu o poder após uma operação dos Estados Unidos capturar o então presidente Nicolás Maduro em janeiro, disse à Assembleia Geral da ONU na quarta-feira que as instituições do Estado estavam se ⁠preparando para as eleições. Segundo ela, o governo havia iniciado negociações com a oposição e garantiria a participação plena, ‌mas não apresentou um cronograma. 

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Cinco fontes, incluindo representantes de partidos próximos ao governo e à oposição, assim como analistas, afirmaram que ainda existem grandes obstáculos, como reformas institucionais complexas e pouca urgência aparente por parte de ‌Washington para a realização de uma votação imediata.

Duas das fontes disseram ‌à Reuters que é improvável que haja eleições antes do final do próximo ano.

REFORMAS COMPLEXAS

No centro ⁠do atraso está a previsão de substituição de todos os 32 juízes da Suprema Corte e dos cinco diretores do Conselho Nacional Eleitoral, órgão eleitoral máximo. Grupos da oposição e observadores internacionais de direitos humanos vêm afirmando que os dois órgãos carecem de independência e que as reeleições de Maduro em 2018 e 2024 foram fraudulentas.

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A reforma institucional está sendo discutida em negociações apoiadas pelos EUA entre o governo interino de Rodríguez e uma ‌facção da oposição.

Mas mesmo após a posse de um novo conselho eleitoral, as autoridades ainda precisariam atualizar os cadernos ‌eleitorais, garantir que todos os partidos ⁠possam concorrer e resolver questões ⁠operacionais básicas, como se a votação seria manual ou eletrônica, disse Oswaldo Martínez, da consultoria ORC, com sede em Caracas.

Esse ⁠processo, por si só, poderia levar até um ano, segundo ‌duas fontes próximas às negociações.

ESTABILIDADE

Autoridades norte-americanas também ‌afirmaram que qualquer transição política deve ser acompanhada de estabilidade econômica e social, o que levanta mais questões potenciais sobre o cronograma eleitoral.

"O que ameaçaria uma república duradoura na Venezuela seria alguém ser eleito e herdar uma catástrofe total, econômica e social, colocando assim todo o projeto em risco", afirmou ⁠o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, nesta semana.

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Alguns críticos dessa posição afirmam que Washington colocou de lado a oposição do país e reduziu a urgência por eleições livres em favor de acordos envolvendo petróleo e investimentos com o governo interino.

No mês passado, o presidente Donald Trump anunciou uma iniciativa sem precedentes dos EUA para assumir o controle de um quinto das vastas ‌reservas de petróleo da Venezuela.

"O governo Trump está, atualmente, priorizando a estabilidade econômica e acordos relacionados ao petróleo sob o governo de Delcy, com pouca urgência aparente para avançar em direção a uma nova votação", disse ⁠Risa Grais-Targow, diretora para a América Latina da consultoria de risco político Eurasia Group.

"Isso, somado a algumas das mudanças institucionais necessárias, sugere que novas eleições não serão realizadas antes do final de 2027, no mínimo, com a possibilidade de que demorem ainda mais."

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PRIORIDADES CONFLITANTES

María Corina Machado, a líder da oposição mais conhecida da Venezuela e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz que vive no exílio, tem estado notavelmente ausente das negociações com o governo interino, já que seus esforços para retornar ao país têm enfrentado obstáculos.

Alguns parlamentares dos EUA têm clamado por eleições e afirmam que Washington não obteve concessões democráticas significativas do governo de Rodríguez.

"A estabilidade e a normalização econômica, fortemente centradas na participação comercial dos EUA, continuam sendo as prioridades", disse Nicholas Watson, da consultoria Teneo, acrescentando que Washington e Caracas estão tratando a necessidade de transição política como um processo de "longo prazo" e "sem prazo definido".

"Nenhum dos dois está tomando medidas decisivas rumo a um processo eleitoral", disse Watson.

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