A proibição das apostas online teve ampla aprovação nas redes, mas o presidente Lula é pouco associado à iniciativa. Segundo a AP Exata, 68,2% das publicações sequer citam o presidente, e apenas 18,6% o elogiam. Apoiada por 75% dos brasileiros e focada em atrair o voto feminino a dias da eleição, a medida também atrai críticas sobre o oportunismo eleitoral, visto que o próprio governo Lula havia regulamentado e tributado o setor de apostas no final de 2023.
A proibição das bets, anunciada pelo presidente Lula (PT) na última sexta-feira, 25, teve repercussão positiva nas redes sociais, mas o presidente aparece pouco associado à medida. Em 68,2% das publicações sobre o tema, Lula sequer é mencionado, segundo levantamento da consultoria AP Exata obtido pelo Estadão.
A consultoria analisou 180 mil menções à medida provisória (MP) que proibiu as apostas on-line no Brasil, publicadas no X e no Instagram nos dias 25 e 26 de setembro. Em 18,6% das publicações, Lula é elogiado, recebe crédito pela decisão ou é defendido. Outros 6,2% apoiam a proibição, mas fazem ressalvas à atuação do presidente.
"As críticas ao presidente exploram sobretudo a decisão anterior do governo de regulamentar o setor e a proximidade da eleição", afirma Sergio Denicoli, CEO da AP Exata e cientista de dados.
Lula anunciou a proibição das apostas on-line a nove dias da eleição. A medida ocorre em meio à tentativa da campanha petista de ampliar o apoio entre as mulheres, segmento em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vem ganhando espaço nas pesquisas Quaest.
Segundo pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada este mês, 75% dos brasileiros defendem que as bets deixem de operar no País. Entre as mulheres, o apoio chega a 82%, ante 68% entre os homens. Os índices reúnem os entrevistados que concordam total ou parcialmente com a proibição.
Bets foram legalizadas por Temer e regulamentadas por Lula
As apostas on-line foram legalizadas durante o governo Michel Temer (MDB), em 2018, mas passaram todo o governo Jair Bolsonaro (PL) sem uma regulamentação — ou seja, com as empresas operando sem autorização e sem pagar imposto.
Quando Lula assumiu a presidência, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), defendeu a regulamentação, dizendo que o governo anterior havia sentado "em cima do problema, como se ele não existisse".
A lei das bets acabou sendo sancionada por Lula em dezembro de 2023, após ser aprovada pelo Congresso Nacional, e com ela foram estabelecidas diretrizes e regras de tributação, os requisitos para a exploração do serviço, a forma de distribuição da receita arrecadada e as sanções.
Embora Lula tenha usado como argumento para proibir as bets a necessidade de proteger as famílias, durante a apreciação do projeto que regulamentou o funcionamento das apostas on-line, as bancadas do PT e do governo na Câmara votaram contra uma emenda que proibiria beneficiários de programas sociais nas bets. O projeto foi enviado ao Congresso pelo próprio governo e aprovado com votos dos governistas.