Deputado federal mais votado da história de São Paulo, Lucas Pavanato (PL) afirmou que seu resultado reflete a insatisfação popular com o governo Lula e o STF, defendendo o impeachment do ministro Alexandre de Moraes e prevendo uma hegemonia conservadora. Em Brasília, ele pretende pautar a redução da maioridade penal, a anistia aos presos de 8 de janeiro e a restrição a apostas online, além de rejeitar pautas identitárias e criticar a proposta da esquerda para o fim da escala de trabalho 6x1.
Candidato mais votado para deputado federal em São Paulo, o vereador paulistano Lucas Pavanato (PL) afirmou que o resultado das urnas no primeiro turno reflete a insatisfação dos eleitores com o Supremo Tribunal Federal (STF) e com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"O eleitor está insatisfeito com os abusos do STF e não quer mais o projeto político do PT. O PSOL nem mesmo bateu a cláusula de barreira. O futuro brasileiro é de hegemonia conservadora", disse Pavanato em entrevista ao Estadão.
Pavanato recebeu pouco mais de três milhões de votos dos paulistas e foi o segundo mais votado no Brasil ? atrás apenas do correligionário mineiro Nikolas Ferreira, de quem recebeu apoio oficial durante a campanha de primeiro turno. Aos 28 anos, ele também se tornou o deputado federal com mais votos na história de São Paulo.
Em conversa com o Estadão nesta terça-feira, 5, o parlamentar eleito à Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), criticou a atuação de juízes da Suprema Corte e defendeu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Pavanato também atribuiu o número de votos que recebeu ao confronto à Corte Constitucional brasileira.
"A perseguição e os abusos saíram pela culatra. Tivemos ampliação significativa da bancada de direita, de políticos que enfrentam o Supremo. Minha votação tem a ver com isso. Nunca poupei palavras para pedir o impeachment de Alexandre de Moraes", afirmou o vereador.
Pavanato disse acreditar que a função do STF é julgar pautas constitucionais e defendeu a limitação de indicações feitas por um mesmo presidente da República. "Caso o Lula vencesse, indicaria quatro a cinco ministros do Supremo, o que acabaria com a nossa democracia. Teríamos a hegemonia no STF de um só partido." Em seguida, afirmou que será uma voz no Congresso a pedir pelo afastamento de Moraes.
Ainda nas críticas ao STF, Lucas Pavanato fez menção à Revolução Constitucionalista de 1932, quando as forças de São Paulo se levantaram contra o governo de Getúlio Vargas, pedindo uma nova Constituição para o País. "Represento a voz dos paulistas, que na Revolução Constitucionalista enfrentaram uma ditadura. Agora, estamos enfrentando outra", disse o deputado eleito democraticamente nas urnas.
Questionado sobre a MP do fim das bets, Pavanato sinalizou ser favorável à limitação dos sites de aposta no Brasil em uma futura votação no Congresso Nacional. Proibidos no País por medida provisória ? aprovada pelo presidente Lula em setembro ?, as bets serão matéria de análise dos parlamentares no ano que vem. Isso porque as MPs têm validade máxima de 180 dias, ou quatro meses. Durante a entrevista, ele criticou a falta de transparência dos algoritmos. "No cassino físico, a pessoa sabe a probabilidade de perder. No virtual, ninguém sabe como foi programado. É um estelionato."
Sobre o fim da escala 6x1, Lucas Pavanato se disse favorável à redução da jornada de trabalho no Brasil. "Mas não da forma populista como a esquerda está fazendo", disse. O deputado federal criticou o projeto apresentado pela deputada Erika Hilton (PSOL) ? segunda mais votada de São Paulo com 1,6 milhão de votos. "Vai gerar desemprego, piores condições de trabalho e maiores preços."
Projetando as pautas que deseja propor e votar em Brasília, o deputado eleito falou em redução da maioridade penal. "Em crimes hediondos, o que deve definir a idade para ser preso é a jurisprudência." Também criticou "leis identitárias" e disse querer trabalhar contra a ampliação das hipóteses em que o aborto é admitido no Brasil. Ele ainda falou em "libertar os presos de 8 de janeiro", assim como o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes contra a ordem democrática.
Por fim, Pavanato falou sobre a importância do apoio que recebeu de Nikolas Ferreira e afirmou que juntos tocarão o maior projeto de direita a nível federal. Também exaltou a votação oferecida pelos paulistas. "O que eu fiz em São Paulo é proporcional ao que ele fez em Minas na primeira votação dele. Não adianta ter apoio se não tiver personalidade e trabalho próprio."