É enganoso que notícias sobre títulos irregulares comprovem fraude na eleição de 2022. Os conteúdos compartilhados são de 2017 e tratam de 15,6 mil fraudes identificadas pela biometria entre 2014 e 2016, cujos registros foram cancelados à época. Mesmo que esses votos tivessem ocorrido em 2022, representariam apenas 0,06% do total, número insuficiente para alterar a vitória de Lula contra Bolsonaro, cuja diferença foi de 1,8 milhão. Hoje, 90% do eleitorado possui biometria cadastrada.
O que estão compartilhando: que reportagens informando sobre a existência de milhares de registros eleitorais irregulares comprovam que a eleição anterior foi fraudada.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. As reportagens mostradas nas postagens não são atuais e não se referem à disputa presidencial de 2022, anterior a esta. Elas circularam em 2017, quando a Justiça Eleitoral promoveu o cruzamento de informações biométricas e identificou mais de 15,6 mil fraudes em títulos de eleitores entre as eleições de 2014 e 2016.
Como noticiado pela Agência Brasil, os casos eram referentes a eleitores que se passaram por outras pessoas em diferentes cartórios e conseguiram emitir mais de um título.
Saiba mais: um dos vídeos utilizados na publicação mostra trecho de reportagem da TV Brasil que foi ao ar em 3 de março de 2017. O noticiário informou que os registros falsos foram descobertos graças à biometria que vinha sendo implantada desde 2008.
Na reportagem completa, o veículo explicou que o levantamento apontava ilícito eleitoral, mas também possível erro na identificação de eleitores durante o cadastro do dado biométrico. Os títulos irregulares já haviam sido cancelados no momento da divulgação da notícia.
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Nas eleições presidenciais de 2022, 124.252.796 eleitores foram às urnas. Nesse universo, ainda que a alegação do post fosse verdadeira e 16.611 votos de votantes irregulares tivessem sido computados, isso representaria 0,06% do total de eleitores. Na época, o então presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), recebeu 59.563.912 votos, contra 57.675.427 de Jair Bolsonaro (PL), uma diferença de 1,8 milhão de votos.
Atualmente, quase 90% do eleitorado já tem a biometria coletada, o que confere maior segurança ao processo eleitoral.