O senador Rogério Marinho afirmou não saber o paradeiro de Flávio Bolsonaro após rumores de que ele teria viajado aos Estados Unidos após a derrota eleitoral. Marinho relatou ter recebido apenas uma mensagem de Flávio dizendo que iria "dar um tempo". Ele criticou as medidas cautelares da PF contra o correligionário, classificando-as como perseguição, e alertou sobre o inquérito do STF que investiga suposta interferência externa no pleito, o que poderia culminar na cassação do registro do PL.
O líder da oposição no Senado e ex-coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, senador Rogério Marinho (PL-RN), negou ter ciência de que o candidato derrotado tenha ido para os Estados Unidos.
"Nós todos não temos ainda informações sobre o seu paradeiro, apenas algumas notícias que já saíram na imprensa, inclusive de outros países, que demonstram que pode ter havido um deslocamento do senador Flávio para um outro país", declarou a jornalistas, em frente à sede nacional do PL, em Brasília.
Marinho relatou ter encontrado Flávio no final da tarde de segunda-feira, 26, e afirmou ter conversado com o senador sobre a necessidade de agradecer pela votação no segundo turno da eleição presidencial. Segundo o líder da oposição, após as notícias de que o ex-candidato havia deixado o Brasil, Flávio teria lhe enviado uma mensagem.
"Recebi por parte dele uma mensagem no telefone, uma mensagem de texto, onde ele dizia que iria dar um tempo hoje e que depois conversaria conosco. E pronto. Foi a única comunicação que eu tive com ele, acho que em torno de 8 horas da manhã. De lá para cá, nós não tivemos mais nenhuma informação a respeito do senador Flávio", afirmou.
O senador disse estar "surpreso" com a informação e negou ter notícia de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poderia receber o ex-presidenciável no país norte-americano.
Marinho ressaltou, porém, que o pedido de medidas cautelares contra Flávio feito pela Polícia Federal (PF) após o resultado do segundo turno é uma situação que "precisa ser esclarecida" e classificou como um ato persecutório.
"Numa democracia, é muito estranho que um candidato a presidente da República, após a proclamação do resultado, seja objeto de uma medida cautelar, no inquérito em que o principal motivo caiu por terra, para a retenção dos seus passaportes. Me parece uma preparação para uma coisa mais persecutória. Então, nós, evidentemente, não fomos informados, mas até compreendo, caso o senador Flávio tenha saído do Brasil com a sua família", afirmou.
O líder da Oposição no Senado disse que a reunião convocada na sede do PL serviu para tratar da eleição para as presidências das duas casas legislativas.
Por fim, ele declarou que parlamentares do PT teriam informações privilegiadas de que outras pessoas da direita seriam presas e lembrou a ordem do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para investigar possível interferência estrangeira nas eleições brasileiras.
"Nós temos o fato de que hoje foi aberto um inquérito por parte do senhor Dino, alegando que houve interferência estrangeira nas eleições. E todos nós sabemos também que um dos motivos que permite que haja a cassação do registro de um partido político é se houve recursos estrangeiros em campanha por parte de organizações de outros países. Então, é muito sério o que está acontecendo no Brasil", finalizou.