Lula quer que Alckmin ajude Haddad a montar estratégia para conquistar votos no interior paulista

Plano do presidente é manter Alckmin como vice na chapa da reeleição, mas com duplo papel: além da dobradinha nacional, ele teria peso importante na campanha para o governo de SP

27 fev 2026 - 17h11

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer que o vice Geraldo Alckmin ajude o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a montar uma estratégia eleitoral para conquistar votos no interior paulista. Haddad é o nome escolhido por Lula para ser candidato à sucessão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Lula, Alckmin e Haddad vão se reunir na próxima terça-feira,3, para avaliar a primeira etapa da campanha ao Palácio dos Bandeirantes e ao Senado. A ideia é começar a definir quais setores devem ser priorizados nessa fase, na tentativa de atrair votos de um espectro político mais conservador.

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Em conversas reservadas, nos últimos dias, Lula disse que sua intenção é manter Alckmin como vice na chapa da reeleição, mas com um duplo papel: além da dobradinha com o presidente, ele ainda teria peso importante na disputa ao governo paulista.

Alckmin já foi quatro vezes governador de São Paulo e é próximo de setores como o do agronegócio, embora tenha perdido apoio de conservadores ao deixar o PSDB, migrar para o PSB e se aliar a Lula na campanha de 2022.

Mesmo assim, no diagnóstico traçado pelo Palácio do Planalto, o vice-presidente e também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços ainda faz o contraponto necessário para representar o centro político na chapa. Alckmin não quer ser candidato ao Senado.

Lula já pediu a ele e também ao ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), que comecem a viajar todos os fins de semana e feriados pelo interior paulista, região em que o PT enfrenta muita dificuldade.

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O cenário eleitoral foi assunto do jantar realizado nesta quinta-feira, 26, entre Lula, Haddad, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e Ana Estela Haddad, secretária de Informação e Saúde Digital e mulher do ministro.

O titular da Fazenda resistia a concorrer novamente ao Bandeirantes, mas, como mostrou o Estadão, Lula disse que precisava dele para ter um palanque forte em São Paulo, o maior colégio eleitoral do País. Haddad cedeu, mas, em público, ainda nega que tenha dado uma resposta definitiva.

Ex-prefeito de São Paulo, o petista perdeu a disputa por um novo mandato, em 2016. Dois anos depois, em 2018, quando Lula estava preso, assumiu a candidatura à Presidência no lugar dele. Em 2022, chegou ao segundo turno da eleição para o Bandeirantes, mas o confronto foi vencido por Tarcísio.

Nome mais cotado nas fileiras do PT para representar o pós-Lula, em 2030, Haddad gostaria de se dedicar agora apenas à coordenação do programa de governo do presidente.

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Apesar dos problemas enfrentados por Tarcísio nos últimos meses, que abalaram sua relação com o secretário de Governo Gilberto Kassab, presidente do PSD, o chefe do Executivo paulista é visto como favorito nesta eleição ao Bandeirantes. Diante dessa perspectiva, há no meio político uma percepção de que Haddad vai "para o sacrifício".

"A candidatura de @Haddad Fernando ao governo de São Paulo não é para ir "ao menos ao segundo turno" como diz a mídia. É candidato pra ganhar!", escreveu o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) em mensagem no X. "Tarcísio está fazendo o pior governo da história do Estado! Haddad vai mostrar a situação precária do Estado na educação e na segurança, os pedágios proliferando no interior, a péssima privatização da Sabesp e o abandono dos prefeitos", completou ele.

O tema da segurança pública preocupa o Planalto nesta campanha, tanto em âmbito nacional como na corrida ao governo paulista. Aliados do presidente avaliam que o deputado Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário da Segurança do governo Tarcísio e pré-candidato ao Senado, dará trabalho ao PT. Derrite foi relator do projeto de lei Antifacção, aprovado na última terça-feira, 24, pela Câmara após uma longa queda de braço com o governo.

Para concorrer ao Senado por São Paulo, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, deve deixar o MDB e se filiar ao PSB, partido de Alckmin. A mudança de partido e de domicílio eleitoral - do Mato Grosso do Sul para São Paulo - é necessária porque o MDB apoia a candidatura de Tarcísio a novo mandato.

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Ainda há dúvidas sobre o destino de Márcio França. O ministro do Empreendedorismo já governou São Paulo e gostaria de disputar mais uma vez o Bandeirantes, com o apoio de Lula.

Mas o que se discute agora, nos bastidores do governo e do PT, é se ele será vice de Haddad ou candidato ao Senado. Nesse quebra-cabeça, há também a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que vai se desfiliar da Rede e negocia a volta ao PT, justamente com o objetivo de ser candidata ao Senado. O problema é que são apenas duas vagas para essa cadeira.

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