É enganoso o vídeo que circula nas redes sugerindo que Lula defendeu que "pobre tinha que morrer cortando cana". O conteúdo foi manipulado para omitir o contexto real da fala, ocorrida em 9 de setembro no Piauí. Na íntegra, o presidente criticava a elite histórica brasileira pelo descaso secular com a educação de indígenas e escravizados, apontando que essas classes dominantes reservavam aos pobres apenas o trabalho braçal e precário, enquanto mandavam seus próprios filhos estudarem no exterior.
O que estão compartilhando: vídeo em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diz que "pobre tinha que morrer cortando cana".
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. O vídeo foi editado para omitir trechos em que fica claro que Lula estava criticando a elite brasileira que "não se importou" com a educação de pessoas pobres "durante séculos". A manifestação do presidente ocorreu durante evento eleitoral no Piauí, no dia 9 de setembro, e está disponível no YouTube.
Saiba mais: Por meio da busca reversa de imagens (veja aqui como fazer), foi possível encontrar que a íntegra discurso do presidente. Lula disse que "durante séculos e séculos, a elite brasileira não se importou com o povo pobre", e que brasileiros escravizados, que trabalhavam para essa elite, foram excluídos do acesso à educação. Confira a transcrição:
"A nossa primeira universidade só ?foi criada 420 anos depois que Cabral chegou aqui, porque a elite brasileira daquela época não queria educar os indígenas. Indígena foi feito para trabalhar para eles. Depois, durante 350 anos, não quiseram educar os escravos, que só vinham aqui para trabalhar. Eles não se importavam, porque os filhos ?deles iam estudar na Europa, estudar nos Estados Unidos, e ?o ?pobre tinha que morrer cortando cana ou garimpando para eles."
A Reuters também publicou uma checagem sobre este tema.