No encerramento da campanha de segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro mobilizaram eleitores nos maiores colégios eleitorais do país. O petista realizou atos no Rio de Janeiro e na Avenida Paulista, em São Paulo, apostando na virada e criticando a postura ética do rival. Já o candidato do PL promoveu motociatas em Belo Horizonte e na Barra da Tijuca, prometendo encerrar a era petista ao lado de aliados como Nikolas Ferreira. Enquanto isso, os candidatos a vice cumpriram agendas paralelas.
BRASÍLIA, RIO E SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) encerram a campanha para o segundo turno neste sábado, 24, com atos nos maiores colégios eleitorais do País.
O petista participou de um ato na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, pela manhã, e à tarde de outra na Avenida Paulista. O senador, de uma motociata em Belo Horizonte (MG), de onde seguiu para evento na Barra da Tijuca (RJ) à tarde.
Antes do início da caminhada no Rio, Lula criticou o "nível do debate proposto" pelo herdeiro do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na TV Globo e reafirmou a confiança numa virada na votação em entrevista à imprensa. Apoiadores, concentrados na Avenida Atlântica, a partir do Posto 5, vestiram vermelho e levantaram bandeiras da mesma cor, estampadas com o nome e o número de urna dele.
Parte dos eleitores usou roupas verdes e amarelas e a bandeira do Brasil. Antes associados ao bolsonarismo, esses elementos passaram a fazer parte da campanha de Lula por uma mobilização digital capitaneada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que assumiu a comunicação durante o segundo turno.
"A grande lição que 2026 deixa é que sem povo não se ganha as eleições. O povo quer mudança e não quer retroceder, mas a sociedade precisa se convencer que não pode eleger um miliciano", disse Lula. "Essa campanha foi com o adversário de mais baixo nível que eu já fiz. Ele (Flávio) é uma mentira", acrescentou.
O petista chegou no ato no Rio por volta das 11h, uma hora após o horário previsto. Acompanharam-no o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), e o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo do Rio de Janeiro derrotado no primeiro turno pelo deputado estadual Douglas Ruas (PL), apoiado por Flávio.
Lula seguiu para São Paulo após Copacabana, onde deu início à "Caminhada da Vitória". Em entrevista à imprensa antes do ato, o presidente disse, mais uma vez, estar convencido da vitória nas urnas no domingo.
"A sociedade brasileira quer mudança, mas quer mudança estrutural, que faça o País continuar caminhando no rumo certo. A sociedade brasileira não quer retrocesso", afirmou a jornalistas.
O candidato à reeleição também mencionou o caso da menina Ana Clara, de 5 anos, assassinada a tiros de fuzil, em 2024, criticou Flávio por ter sido advogado do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado do crime. O julgamento estava marcado para a última quarta-feira, 21, mas foi adiado para 5 de maio de 2027.
"A sociedade brasileira não vai aceitar que uma pessoa que não tem sensibilidade com a morte de uma menina de 5 anos de idade, ele vai ajudar quem matou a menina para que essa pessoa não seja presa. Uma pessoa dessas não tem condições políticas, morais e éticas para chegar à Presidência da República", completou.
A caminhada partiu da Alameda Campinas até a altura das ruas Bela Cintra e Haddock Lobo, na região da Avenida Paulista.
Lula subiu no trio de camisa azul, em contraste aos apoiadores, que usaram vermelho, balançou a bandeira do Brasil e segurou a Constituição Federal de 1988. A caminhada ocorreu sob jingles e músicas da campanha.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) estava ao lado dele, assim como a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja; o ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT-SP), derrotado por Tarcísio de Freitas (Republicanos) no primeiro turno; e da deputada federal Marina Silva (Rede-SP) e da ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB-SP), que perderam a disputa para o Senado.
Já o presidenciável do PL subiu no trio elétrico em um evento batizado como "Bloquinho do 22", na Praça da Liberdade, na região central da capital de Minas Gerais. Uma parcela dos eleitores, trajada de verde e amarelo, o seguiu de moto e buzinou em apoio à candidatura. Outra parte o acompanhou a pé, correndo.
Flávio e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) entoaram jingles de campanha em cima do trio. "Belo Horizonte a poucas horas da liberdade do Brasil. Vambora, Minas!", disse o presidenciável em vídeo selfie gravado em cima do trio. "Não chegou ainda, é só o começo", completou o aliado.
Além de Nikolas, o filho de Bolsonaro reforçou o apoio recebido do governador reeleito de São Paulo e do senador Cleitinho (Republicanos), eleito para o governo de Minas Gerais. "Tem uma tradição aí: quem ganha em São Paulo e quem ganha em Minas ganha no Brasil", afirmou Flávio, em referência aos dois maiores colégios eleitorais do País, em vídeo publicado nas redes sociais antes da motociata.
Como mostrou a Coluna do Estadão, Cleitinho só embarcou na campanha de Flávio neste sábado, após pressão de aliados do PL: é a primeira vez dele no palanque do presidenciável. Até então, adotava um discurso pacificador e dizia que governaria para todos, da esquerda à direita. Também defendeu a aprovação do fim da escala 6x1, à revelia do candidato e do partido dele, e recebeu acenos de Lula e de Janones.
Flávio se dirigiu à outra edição do "Bloquinho do 22", dessa vez na Praça do Ó, na Barra da Tijuca (RJ) e disse que acabará com a "era Lula" na política brasileira. Assim como em Minas Gerais, os apoiadores dele vestiram as cores da bandeira nacional.
O presidenciável declarou que o pai, hoje em prisão domiciliar, colocará a faixa presidencial nele. A tradição, no entanto, dá esse papel ao antecessor, que, caso o candidato do PL vença, caberá a Lula. "As próximas décadas vão ser de liberdade, prosperidade e vitória", disse Flávio.
Eleitores gritaram "volta, Bolsonaro" antes de Flávio falar no palanque. No trajeto em direção à casa de Bolsonaro no Rio, o carro de som tocou jingles como "fora PT, aqui não é o seu lugar" e "tchau, tchau, PT". Uma das palavras de ordem foi "quem ficar parado é petista disfarçado".
Um cartaz de manifestantes estampou a frase "Brasil sem aborto, Brasil sem drogas". Imagens nas redes sociais mostram que o candidato do PL tirou fotos e distribuiu autógrafos para eleitores e crianças durante o ato.
No ato, ao qual Flávio chegou por volta das 16h, pessoas precisaram ser socorridas pelos Bombeiros após passarem mal.
Nikolas o acompanhou até o Rio de Janeiro. A mulher do candidato, a dentista Fernanda Bolsonaro, a coordenadora da área econômica da campanha, Daniella Marques, e o deputado estadual Douglas Ruas (PL), eleito governador do Estado, também participaram do ato.
Os atos tanto na Avenida Paulista quanto na Barra da Tijuca tocaram o hino nacional. A caminhada de Lula também entoou o hino da Independência do Brasil.
Candidatos a vice fazem campanha longe dos titulares
Longe dos titulares, os candidatos a vice de Lula e de Flávio fizeram agendas separadas pelo Brasil neste sábado, pela manhã. Alckmin participou de uma caminhada em Cidade Tiradentes, distrito do município de São Paulo, enquanto Lula estava em Copacabana.
Na ocasião, criticou o desempenho do presidenciável do PL no debate da Rede Globo na última sexta, 23. Alckmin disse que houve "54 mentiras ditas pelo nosso adversário", citando a checagem de fatos, e nenhuma de Lula.
Já o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), que forma chapa com Flávio, realizou um ato de campanha em João Pessoa na sexta à noite e uma motociata em Arapiraca (AL) no sábado pela manhã. Outros eventos devem ocorrer à tarde no Estado.