Justiça condena Mário Bruck, ex-dirigente do PSB, por desvio de recursos federais em Porto Alegre

O MPF também aponta a existência de um contrato fictício de prestação de serviços de recursos humanos, no valor de R$ 1,5 mil mensais por um ano, que jamais teria sido executado

23 fev 2026 - 21h54

A Justiça Federal condenou Mário Bruck, ex-presidente regional do PSB e atual coordenador da bancada do partido na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, como mandante oculto de um esquema de desvio de recursos federais envolvendo o Instituto Renascer. A decisão, publicada nesta segunda-feira (23), acolhe denúncia do Ministério Público Federal (MPF) e fixa pena de três anos e quatro meses em regime aberto, além do pagamento de multa. Os valores desviados teriam sido repassados ao município de Porto Alegre.

Foto: Tiago Belinski/Divulgação PSB RS / Porto Alegre 24 horas

Também foram condenados no processo Marlon Vargas Bruck, filho do deputado e administrador da empresa Confiare/Focus, e Thiago Franklin Genrro Flores, presidente do Instituto Renascer. Segundo a denúncia, o grupo utilizava a Confiare/Focus como intermediadora na compra de insumos destinados aos serviços prestados pelo Instituto, com recursos oriundos do Fundo Nacional de Saúde (FNS) e do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS), gerando prejuízo aos cofres públicos.

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O contrato entre a Prefeitura de Porto Alegre e o Instituto Renascer previa o acolhimento institucional de adultos em situação de rua e somava R$ 12,36 milhões, com vigência entre abril de 2020 e dezembro de 2021. De acordo com o MPF, durante esse período ocorreram diversos desvios, com compras superfaturadas de itens básicos. Em um dos exemplos citados na ação, a empresa de Marlon vendeu ao Instituto mercadorias por R$ 9 mil que haviam sido adquiridas três dias antes por R$ 3,8 mil.

A acusação sustenta que Mário Bruck exercia controle indireto sobre todo o esquema, atuando como "regente oculto" do Instituto Renascer e da Confiare/Focus. O MPF também aponta a existência de um contrato fictício de prestação de serviços de recursos humanos, no valor de R$ 1,5 mil mensais por um ano, que jamais teria sido executado. Em manifestação ao site Sul21, Bruck afirmou que foi absolvido de quatro das cinco acusações e que recorrerá da condenação, alegando inocência e motivação político-partidária nas denúncias.

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