Haddad aceita convite de Lula para ser candidato ao governo de SP e Pacheco deve concorrer em Minas

Presidente começa a acertar palanques nos dois maiores colégios eleitorais do País; PT avalia que deixar Flávio Bolsonaro 'solto' foi um erro

27 fev 2026 - 09h46

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), cedeu à pressão. Após meses afirmando que não disputaria as eleições neste ano, ele disse a aliados que será candidato ao governo de São Paulo porque nunca poderia negar um pedido feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Haddad e Lula conversaram nesta quinta-feira, 26, em jantar no Palácio da Alvorada. O presidente também vai se reunir mais uma vez com o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e espera acertar com ele os detalhes finais para sua candidatura ao governo de Minas Gerais.

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Com esse arranjo, Lula consegue montar os palanques nos dois maiores colégios eleitorais do País: São Paulo e Minas. Ao que tudo indica, o vice na chapa do petista a novo mandato no Palácio do Planalto continuará sendo Geraldo Alckmin (PSB).

A subida do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), desafiante de Lula, nas pesquisas de intenção de voto surpreendeu o Palácio do Planalto. Há um diagnóstico no governo de que foi um erro deixar Flávio "solto", sem atacá-lo nem expor as acusações que pesam contra ele, como o escândalo da "rachadinha".

Lula convenceu Haddad a se candidatar ao governo de São Paulo
Lula convenceu Haddad a se candidatar ao governo de São Paulo
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Além disso, a cúpula do PT avalia que a candidatura do governador de São Paulo à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), enfrenta momento difícil depois de desentendimentos entre ele e o secretário de Governo, Gilberto Kassab. Por isso, esse seria o momento de Haddad começar a articular sua pré-campanha e fazer as articulações políticas, ainda que de forma discreta.

O titular da Fazenda não assume oficialmente a candidatura, mas deixará o governo no fim deste mês ou no início de abril para disputar o Bandeirantes. Dos 38 ministros, aproximadamente 20 devem se desincompatibilizar até seis meses antes das eleições de outubro para concorrer.

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Haddad é hoje considerado o sucessor natural de Lula no PT, a partir de 2030, e sua entrada no páreo dará essa sinalização.

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, sairá da Rede e pretende se filiar ao PT para ser candidata ao Senado. A segunda vaga, porém, ainda está em discussão.

Uma das possibilidades é que a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB-MS), concorra ao Senado por São Paulo. Para essa operação, no entanto, ela terá de se desfiliar do MDB - uma vez que o partido apoia a candidatura de Tarcísio - e mudar o domicílio eleitoral para São Paulo. Tebet recebeu convite para ingressar no PSB, mas ainda não tomou uma decisão final.

Em conversas reservadas com Haddad, Lula disse que precisava dele em São Paulo porque necessita de um palanque forte no maior colégio eleitoral do País.

"Estou conversando com o presidente (sobre o assunto). Não vou cometer a deselegância de antecipar o que ainda vou falar com ele", afirmou o ministro nesta quinta-feira, pouco antes de se dirigir ao Palácio da Alvorada acompanhado de sua mulher, Ana Estela Haddad.

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Em 2022, o petista perdeu a disputa ao Palácio dos Bandeirantes para Tarcísio. Mas, de acordo com cálculos sempre lembrados pelo PT, Lula só ganhou a eleição do então presidente Jair Bolsonaro, naquele ano, porque conseguiu obter mais votos na capital paulista. E esse crédito é atribuído a Haddad.

No início da semana, dirigentes do PT se reuniram em São Paulo e acertaram que até 10 de março Haddad precisava dar uma resposta ao partido. Nos bastidores, porém, a candidatura dele em São Paulo já era dada como praticamente certa.

Lula também disse a interlocutores, na recente viagem a Índia, que contava com Pacheco para concorrer ao governo de Minas. Fez questão de destacar que tudo estava bem encaminhado com o senador.

Ex-presidente do Senado, Pacheco gostaria de ter sido indicado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), mas Lula escolheu o ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias.

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A sabatina de Messias no Senado, no entanto, ainda não foi marcada porque a escolha do chefe do Executivo provocou contrariedade, especialmente por parte do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Mas Lula está acertando um acordo com Alcolumbre pelo qual Pacheco deve ser candidato em Minas por outra legenda - provavelmente o União Brasil. Em contrapartida, o presidente do Senado tem carta branca para fazer novas indicações no governo.

Alcolumbre nega a moeda de troca. O Centrão pede o comando do Banco do Nordeste, a presidência e a superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e uma vice-presidência da Caixa Econômica Federal, entre outros cargos.

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