BRASÍLIA - O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, disse nesta quarta-feira, 12, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que a relação dos dois está "destravada". Segundo Guimarães, a conversa foi "bem aberta" e representou um "passo gigantesco" para a relação do governo com o senador.
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), também participou da reunião com Lula, Alcolumbre e Guimarães. O encontro foi realizado no Palácio da Alvorada na manhã desta quarta-feira e não constava na agenda oficial do presidente da República.
Após a reunião, Guimarães e Leitão falaram com a imprensa. Disseram que a conversa desta quarta foi uma "continuidade" da reaproximação que Lula e Alcolumbre tiveram na semana passada em jantar na casa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Os presidentes da República e do Senado estavam rompidos desde que a Casa rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma cadeira no STF. Como mostrou o Estadão, na avaliação de Lula exposta no jantar, o fiasco só ocorreu porque o presidente do Senado pediu votos contra Messias. Alcolumbre, por sua vez, disse que estava cansado de atuar como se fosse líder do governo para arregimentar a base aliada em votações e reclamou do PT.
"Nós fizemos uma reunião muito importante. Eu, como ministro, a líder do governo do Senado, a senadora Teresa (Leitão), e o presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nessa reunião, o presidente deu continuidade à conversa que havia tido na semana passada com o presidente do Congresso. O diálogo foi retomado a partir daquela reunião anterior, e hoje nós aprofundamos esse diálogo", afirmou.
"Foi uma conversa bem aberta. O presidente colocou o que interessa ao governo. Alcolumbre está avaliando, vai ouvir os senadores. A senadora Teresa, que é a líder, vai ouvir também os senadores. Eu acho que nós demos um passo gigantesco para destravar as pautas e fazermos aquilo que é de interesse do Brasil nesse pequeno período de esforço concentrado", completou.
Guimarães disse que foram discutidos nesta quarta o projeto de lei complementar dos combustíveis - que acabou incorporando uma série de outras pautas de interesse do Palácio do Planalto -, a proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1, a regulação dos minerais críticos e a PEC da Segurança. No caso do PLP dos combustíveis, o ministro disse que foi feito um acordo com o Ministério da Fazenda e o do Planejamento sobre o assunto.
Segundo o ministro das Relações Institucionais, "as relações (com Alcolumbre) estão retomadas" e "terão novos encontros daqui para o final de semana". "A ideia é a gente consolidar esse diálogo, que na Câmara já está 100%. E nós queremos que, sob a liderança da senadora Teresa, também no Senado, fique 100% como está na Câmara."
A líder do governo no Senado, Teresa Leitão, disse que "Alcolumbre se mostrou muito aberto" e que "o diálogo fluiu muito bem, o presidente Lula muito descontraído, e muito esperançoso".
Tanto Teresa Leitão quanto Guimarães se esquivaram quanto ao timing de votação das propostas de interesse do governo, como o fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança. No caso do fim da escala 6x1, Leitão disse que "ela é uma coisa tão importante que ela precisa ser tratada com essa importância" Questionada se ficaria para depois da eleição, disse que "depende do trâmite interno".
A líder do governo no Senado também afirmou que foi acordado com Alcolumbre a instalação das comissões mistas de seis medidas provisórias nesta quarta-feira, entre elas a MP do fim da taxa das blusinhas.
Questionado sobre um eventual apoio de Alcolumbre formal a Lula, assim como fez o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), Guimarães disse que o presidente do Senado "já tem compromisso com a nossa chapa no Amapá".
"Independentemente da pauta do Senado, das matérias de interesse do governo, nós temos uma chapa (no Amapá), a reeleição do governador, a candidatura do senador Randolfe e o Davi está absolutamente sintonizado com a reeleição do Lula e com o nosso palanque lá no Amapá", disse.
Guimarães complementou que o presidente da República convidou o senador para participar do lançamento da candidatura presidencial em São Bernardo do Campo (SP) no dia 16. Alcolumbre disse que não poderia acompanhá-lo por causa de outros compromissos.
Como mostrou o Estadão, o acordo que o Palácio do Planalto tenta fechar com o Acolumbre passa pelo apoio à sua tentativa de reeleição ao comando da Casa, em 2027. Se vencer a disputa de outubro, Lula avalizará mais uma gestão de Motta à frente da Câmara, mas também pretende dar respaldo a Alcolumbre, desde que ele colabore com o governo.