'Futuro brasileiro é de hegemonia conservadora', diz Pavanato, deputado federal mais votado em SP

Deputado eleito com 3 milhões de votos defende reforma do Judiciário; abertura de processo contra magistrados é prerrogativa do Senado Federal

6 out 2026 - 05h41
Resumo
Deputado federal mais votado da história de SP, com mais de 3 milhões de votos, Lucas Pavanato (PL) afirmou que as urnas apontam para um futuro de hegemonia conservadora, reflexo do repúdio ao PT e ao STF. Apoiado por Nikolas Ferreira, ele elegeu o confronto à Suprema Corte e o impeachment de Alexandre de Moraes como prioridades. Na Câmara, o parlamentar também planeja atuar contra o aborto e a escala 6x1 da esquerda, além de defender a anistia aos presos de 8 de janeiro e a limitação de apostas online.

Candidato mais votado para deputado federal em São Paulo, o vereador paulistano Lucas Pavanato (PL) afirmou que o resultado das urnas no primeiro turno reflete a insatisfação dos eleitores com o Supremo Tribunal Federal (STF) e com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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"O eleitor está insatisfeito com os abusos do STF e não quer mais o projeto político do PT. O PSOL nem mesmo bateu a cláusula de barreira. O futuro brasileiro é de hegemonia conservadora", disse Pavanato em entrevista ao Estadão.

Pavanato recebeu pouco mais de três milhões de votos dos paulistas e foi o segundo mais votado no Brasil ? atrás apenas do correligionário mineiro Nikolas Ferreira, de quem recebeu apoio oficial durante a campanha de primeiro turno. Aos 28 anos, ele também se tornou o deputado federal com mais votos na história de São Paulo.

Em conversa com o Estadão nesta terça-feira, 5, o parlamentar eleito à Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), criticou a atuação de juízes da Suprema Corte e defendeu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Pavanato também atribuiu o número de votos que recebeu ao confronto à Corte Constitucional brasileira.

"A perseguição e os abusos saíram pela culatra. Tivemos ampliação significativa da bancada de direita, de políticos que enfrentam o Supremo. Minha votação tem a ver com isso. Nunca poupei palavras para pedir o impeachment de Alexandre de Moraes", afirmou o vereador.

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Pavanato disse acreditar que a função do STF é julgar pautas constitucionais e defendeu a limitação de indicações feitas por um mesmo presidente da República. "Caso o Lula vencesse, indicaria quatro a cinco ministros do Supremo, o que acabaria com a nossa democracia. Teríamos a hegemonia no STF de um só partido." Em seguida, afirmou que será uma voz no Congresso a pedir pelo afastamento de Moraes.

Ainda nas críticas ao STF, Lucas Pavanato fez menção à Revolução Constitucionalista de 1932, quando as forças de São Paulo se levantaram contra o governo de Getúlio Vargas, pedindo uma nova Constituição para o País. "Represento a voz dos paulistas, que na Revolução Constitucionalista enfrentaram uma ditadura. Agora, estamos enfrentando outra", disse o deputado eleito democraticamente nas urnas.

Deputado federal eleito com mais de 3 milhões de votos concede entrevista remota para jornalistas do Estadão.
Deputado federal eleito com mais de 3 milhões de votos concede entrevista remota para jornalistas do Estadão.
Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

Questionado sobre a MP do fim das bets, Pavanato sinalizou ser favorável à limitação dos sites de aposta no Brasil em uma futura votação no Congresso Nacional. Proibidos no País por medida provisória ? aprovada pelo presidente Lula em setembro ?, as bets serão matéria de análise dos parlamentares no ano que vem. Isso porque as MPs têm validade máxima de 180 dias, ou quatro meses. Durante a entrevista, ele criticou a falta de transparência dos algoritmos. "No cassino físico, a pessoa sabe a probabilidade de perder. No virtual, ninguém sabe como foi programado. É um estelionato."

Sobre o fim da escala 6x1, Lucas Pavanato se disse favorável à redução da jornada de trabalho no Brasil. "Mas não da forma populista como a esquerda está fazendo", disse. O deputado federal criticou o projeto apresentado pela deputada Erika Hilton (PSOL) ? segunda mais votada de São Paulo com 1,6 milhão de votos. "Vai gerar desemprego, piores condições de trabalho e maiores preços."

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Projetando as pautas que deseja propor e votar em Brasília, o deputado eleito falou em redução da maioridade penal. "Em crimes hediondos, o que deve definir a idade para ser preso é a jurisprudência." Também criticou "leis identitárias" e disse querer trabalhar contra a ampliação das hipóteses em que o aborto é admitido no Brasil. Ele ainda falou em "libertar os presos de 8 de janeiro", assim como o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes contra a ordem democrática.

Por fim, Pavanato falou sobre a importância do apoio que recebeu de Nikolas Ferreira e afirmou que juntos tocarão o maior projeto de direita a nível federal. Também exaltou a votação oferecida pelos paulistas. "O que eu fiz em São Paulo é proporcional ao que ele fez em Minas na primeira votação dele. Não adianta ter apoio se não tiver personalidade e trabalho próprio."

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