Ao votar em Brasília, o presidente do STF, Edson Fachin, defendeu a Justiça Eleitoral e pediu respeito ao resultado das urnas, além de pregar a união e a paz no país. O pleito ocorre sob forte tensão, com acusações mútuas entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro no TSE e desgastes no próprio STF, causados por decisões na disputa e pelo impacto político das investigações do caso Master, que envolvem os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.
BRASÍLIA - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, votou na manhã deste domingo, 25, em um colégio em Brasília. Ele ressaltou a importância de que os candidatos e a população aceitem o resultado das eleições.
"É preciso sempre lembrar que toda autoridade, todo poder emana do povo. Portanto, é fundamental que sejam respeitadas as escolhas que derivarem da manifestação da soberania popular".
Ele também pregou a união após o fim das eleições e pediu esforços para encontrar soluções para o que chamou de "grandes desafios do País".
"O Brasil precisa de paz e tranquilidade para, a partir de amanhã, enfrentar os grandes desafios em diversas áreas que demandam a presença do Estado e, obviamente, o atendimento das legítimas demandas da sociedade", acrescentou o magistrado.
O processo eleitoral foi marcado por questionamentos de parte a parte sobre interferências da Justiça e de plataformas digitais. A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aponta favorecimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato de oposição, na distribuições de publicações nas redes sociais.
Já a chapa de Flávio se queixou de uso da máquina pública pelo petista. Ambas as queixas foram levadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em ações e pedidos de investigação. Em sua declaração, Fachin defendeu os trabalhos da Justiça Eleitoral.
"Gostaria de enaltecer essa manifestação democrática pelo voto que ocorre no dia de hoje em todo Brasil e também de dizer que o Poder Judiciário brasileiro, especialmente por meio da Justiça Eleitoral, está cumprindo a parte que lhe toca nesse momento".
Neste ano, o STF se envolveu em diversos momentos da campanha. Em um dos episódios, o ministro Gilmar Mendes, determinou a participação do então candidato à Presidência pelo partido Missão, Renan Santos, no debate eleitoral da TV Globo no 1º turno das eleições. Na ocasião, o debate acabou sendo cancelado após desistência de Flávio Bolsonaro (PL).
Além de decisões tomadas no contexto da eleição, a própria crise institucional do STF acabou contaminando o debate eleitoral. As investigações relacionadas ao caso Master, que dividiram a Corte entre aliados de Alexandre de Moraes e André Mendonça, também foram utilizadas politicamente durante a campanha.
Como o Estadão revelou, cláusulas do contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia da família do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram revisadas e editadas ao menos duas vezes pelo próprio ministro, segundo perícia da Polícia Federal. Já o ministro André Mendonça admitiu ter recebido pessoalmente o banqueiro Daniel Vorcaro no início de 2025 na sede do Instituto Iter, fundado pelo magistrado em São Paulo.