Em evento em São Paulo ao lado de aliados como Tarcísio de Freitas, o candidato Flávio Bolsonaro acusou o presidente Lula de tentar comprar votos com medidas para MEIs às vésperas do segundo turno. Flávio prometeu cortar impostos, acabar com a reeleição e indicar ministros conservadores ao STF caso vença o pleito. Tarcísio reforçou o apoio à sua campanha, afirmando que ele superará o pai, enquanto ambos convocaram a militância para uma manifestação na Avenida Paulista.
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou o pacote de bondades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para os microempreendedores individuais (MEIs). A medida, anunciada a 12 dias da votação do segundo turno, inclui perdão a dívidas tributárias com a União e um "Pix MEI" de R$ 5 mil.
"(Lula) vai dar Pix para o microempreendedor individual. Ele está achando que o povo é otário? Está achando que pode comprar o voto das pessoas assim, como ele fazia lá em 2002, com o Mensalão? Não vai fazer mais. Não vai mais enganar o povo", declarou Flávio, dizendo ainda que Lula "passou quatro anos massacrando os empreendedores".
O candidato do PL participou nesta terça-feira, 13, do Grande Encontro do Associativismo, no Clube Monte Líbano, em São Paulo. Ele estava acompanhado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), e de diversos parlamentares eleitos no último dia 4, incluindo o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), e o ex-secretário de Segurança Pública do Estado, Guilherme Derrite (PP), vitoriosos na corrida pelo Senado por São Paulo.
Flávio diz que Tarcísio tinha 'expectativa' de disputar o Planalto
Em quase 30 minutos de discurso, Flávio voltou a dizer que precisa de "apenas um mandato" e que vai usar a força de um presidente recém-eleito para acabar com a reeleição. A medida é vista como um aceno ao governador Tarcísio de Freitas, que, como o próprio senador afirmou em seu discurso nesta terça-feira, tinha a "expectativa" de disputar o Planalto. O chefe do Palácio dos Bandeirantes nunca admitiu publicamente intenção de sair do Estado.
"O Tarcísio tinha a expectativa também, naquele momento lá, de ser candidato a presidente da República. E a minha relação com ele é muito direta, muito respeitosa e de admiração", afirmou.
O governador tem se empenhado na campanha do aliado, sobretudo após ser reeleito no primeiro turno. À plateia com representantes do setor produtivo e do associativismo, disse que o senador será "maior do que o pai". "(Flávio) aprendeu muito com o seu pai; com os acertos e com os erros. Erros que não serão repetidos e acertos que serão potencializados", afirmou Tarcísio aos mais de 1,5 mil presentes.
Tanto Flávio quanto Tarcísio pediram engajamento de seus apoiadores nesta reta final da campanha. O senador falou que "não tem eleição ganha" e ressaltou que a esquerda está se mobilizando. No último domingo, militantes pró-Lula lotaram a Avenida Paulista, levando a direita a também convocar um ato no mesmo local para o próximo final de semana. "A gente tem que encher aquela Paulista de verde e amarelo. Agora é hora do esforço", pediu o governador de São Paulo.
Em sua fala, Flávio prometeu "tesouraço" em impostos e burocracias e fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), dizendo que ele "protege o governo", colocando para votar, a poucos dias das eleições, pautas que favorecem o petista e impactam o País, numa provável referência à PEC do fim da escala seis por um, da qual Flávio era contra, mas mudou de posição.
Em relação à Corte, o senador afirmou que Lula colocou "paus mandados deles" e disse que, se eleito, "vai colocar lá na Suprema Corte pelo menos cinco homens e mulheres que vão ser contra o aborto, contra as drogas, vão respeitar a Constituição, ser a favor do empreendedorismo e dar segurança jurídica" para o País.
"O Congresso vocês já me deram. Agora me deem a oportunidade de proteger o Supremo Tribunal Federal. Vocês conseguem fazer um exercício do Lula colocando mais quatro Alexandres de Moraes no Supremo? Ou mais quatro Flávios Dinos?", indagou.