O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou que a corporação tenta esclarecer se houve a abertura de um processo contra o delegado que atuou junto às autoridades americanas no caso envolvendo a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). Segundo ele, a PF também avalia a adoção de medidas administrativas.
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Rodrigues negou, porém, que o delegado tenha sido expulso por decisão do governo do presidente americano Donald Trump. De acordo com o diretor-geral, o retorno do policial ao Brasil ocorreu por determinação da própria PF. A declaração foi dada em entrevista à GloboNews.
“Não há nenhuma expulsão de nenhum funcionário brasileiro do exterior”, disse Rodrigues. “Ele voltou por determinação minha, em razão deste episódio, para que possamos esclarecer se há, de fato, um processo formal e, assim, entender a situação e eventualmente adotar medidas administrativas em relação a este servidor.”
O delegado Marcelo Ivo de Carvalho atuava como oficial de ligação da Polícia Federal em Miami desde agosto de 2023, em uma função voltada à cooperação internacional na área de segurança. Ao chegar ao trabalho na segunda-feira, 20, ele teve a credencial de acesso ao sistema negada. “Portanto, entendi que seria mais prudente mandá-lo de volta ao Brasil”, explicou Rodrigues.
Em publicação feita na segunda-feira, 20, na rede social X (antigo Twitter), o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos Estados Unidos informou que solicitou a saída do delegado do país e o acusou de tentar “manipular” o sistema de imigração americano.
No foreigner gets to game our immigration system to both circumvent formal extradition requests and extend political witch hunts into U.S. territory. Today, we have asked that the relevant Brazilian official depart our nation for attempting to do that.
— Bureau of Western Hemisphere Affairs (@WHAAsstSecty) April 20, 2026
A medida ocorreu após o episódio envolvendo a prisão pelo ICE e a posterior soltura do ex-deputado Alexandre Ramagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por golpe de Estado e que havia fugido para os Estados Unidos.
Na ocasião da prisão, a Polícia Federal afirmou, em nota oficial, que se tratava de uma ação de cooperação policial internacional entre autoridades dos dois países.
Rodrigues também afirmou nesta quarta-feira que retirou as credenciais de um servidor do departamento de imigração dos Estados Unidos que atuava em Brasília. Com isso, o agente deixou de ter acesso às dependências da PF. Segundo o diretor-geral, a decisão foi tomada com base no “princípio da reciprocidade”. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia antecipado essa possibilidade na terça-feira, 21.