Diárias revelam que seguranças que atendem STF passaram 134 dias no resort Tayayá

Família do ministro Dias Toffoli era dona de parte do resort até 2021. Irmãos do ministro venderam participação no hotel de luxo em 2025, mas magistrado continuou a viajar para o local; STF diz que magistrados são 'alvos recorrentes de ameaças' e que segurança é para avaliar riscos e assegurar a proteção deles

22 jan 2026 - 21h11
(atualizado em 23/1/2026 às 09h31)

Toffoli seguiu visitando o resort mesmo após a venda do Tayayá em 2025
Toffoli seguiu visitando o resort mesmo após a venda do Tayayá em 2025
Foto: Divulgação/Tayayá / Estadão

Seguranças que atendem o Supremo Tribunal Federal (STF) teriam passado ao menos 134 dias no Tayayá Resort, em Ribeirão Claro (PR), entre janeiro de 2022 e novembro de 2025, conforme indicam as diárias pagas a esses profissionais. A família do ministro Dias Toffoli era dona de parte do resort até 2021.

As diárias dos seguranças que atenderam a uma autoridade do STF na cidade custaram R$ 548,9 mil aos cofres públicos. O total pode ser calculado a partir da prestação de contas do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região, de São Paulo, que deslocou equipes para atender ao Supremo nas viagens ao Paraná. Os dados foram divulgados pelo portal Metrópoles e confirmados pelo Estadão.

Segundo as notas postadas no site do TRT, os seguranças foram deslocados para "prestar apoio em segurança e transporte para autoridade do Supremo Tribunal Federal, na cidade de Ribeirão Claro". O TRT não informa qual ministro pediu as equipes e os dados financeiros de dezembro de 2025 ainda não foram publicados.

Por nota, o STF afirmou que os magistrados são "alvos recorrentes de ameaças" e que a segurança da Corte "tem por finalidade garantir a autonomia e a imparcialidade dos ministros, atuando nos termos da legislação vigente". "Para tanto, possui a atribuição de avaliar riscos, identificar ameaças e definir os meios e modos necessários para assegurar a segurança dos ministros em todos os locais", diz o texto.

Toffoli é atualmente o relator do caso do Banco Master, que foi liquidado (fechado) pelo Banco Central após indícios de fraudes e possibilidade de contaminação no mercado financeiro nacional.

O CEO do Master, Daniel Vorcaro, foi preso enquanto tentava fugir do Brasil em novembro de 2025; ele foi libertado dez dias depois e é monitorado por tornozeleira eletrônica. A negociação para a compra do hotel envolve também a Reag Investimentos, gestora dos fundos envolvidos na transação do hotel.

O pastor evangélico e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, é dono dos fundos de investimento que compraram parte da participação dos irmãos do ministro no resort Tayayá, no interior do Paraná. A participação valia, à época, R$ 6,6 milhões.

Documentos obtidos pelo Estadão com a movimentação financeira de um fundo de investimento chamado Leal mostram que Fabiano Zettel foi seu único cotista entre 2021 e 2025. Foi com uso do Leal e de um outro fundo que o pastor e cunhado de Vorcaro passou a ser sócio do resort Tayayá. Os fundos foram usados para aportar R$ 20 milhões no empreendimento.

Outra pessoa envolvida na negociação é o executivo da Reag Silvano Gersztel, que foi o representante de um fundo da gestora do mercado financeiro na compra de uma parcela da participação dos irmãos do ministro no Tayayá.

Gersztel é investigado por suposta lavagem de dinheiro para empresários do setor do combustível ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC), em esquema abordado pela operação Carbono Oculto.

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