O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a nova fase do programa de renegociação de dívidas do governo federal tem foco social e econômico e não deve ser interpretada como uma medida com objetivo eleitoral. Ao comentar o Novo Desenrola, lançado nesta segunda-feira, 4, Alckmin disse que "não tem relação com eleição" e lembrou que a iniciativa já havia sido adotada anteriormente. "O governo já fez o Desenrola na sua primeira etapa. Isso já foi feito há mais de um ano atrás", disse o vice-presidente.
A declaração ocorre no mesmo dia em que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou o início de uma mobilização de 90 dias para renegociar dívidas da população. No lançamento do programa, Durigan afirmou que o desconto médio no Desenrola Famílias será de 65%, com juros de até 1,99% ao mês, e que a proposta é permitir que famílias saiam da inadimplência e retomem acesso ao crédito em condições melhores.
Em São Paulo, Alckmin destacou que a medida busca enfrentar um cenário de endividamento elevado. "Como nós temos um nível de endividamento alto e preocupante, o que o governo quer é tirar as famílias do crédito rotativo, do cheque especial", disse.
Segundo o vice-presidente, a lógica do programa é substituir dívidas caras por condições mais sustentáveis. Por isso, apontou, o Desenrola 2.0 vai ofertar crédito com juros menores e exigir um desconto.
Pelo desenho apresentado pela equipe econômica, o Novo Desenrola terá quatro frentes: Desenrola Famílias, renegociação do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), dívidas de empresas e dívidas rurais voltadas à agricultura familiar. O programa é direcionado a pessoas com renda de até cinco salários mínimos e, no caso das famílias, contempla dívidas contratadas até 31/01/2026, com atraso entre 90 dias e dois anos.
As dívidas renegociadas poderão ser pagas em até quatro anos. Durigan também indicou que, em cartão de crédito e cheque especial, o desconto mínimo será de 40% para atrasos de 90 a 120 dias, podendo chegar a 90% quando a dívida tiver maturidade de um a dois anos.
Alckmin também mencionou a restrição a apostas online como parte do pacote. "Tem até uma outra questão, quem entrar no programa fica durante um ano impedido de participar de jogos e bets", afirmou.
A medida foi confirmada por Durigan, que disse que quem aderir ao Novo Desenrola terá o CPF bloqueado para bets por 12 meses, sob o argumento de que beneficiários que precisam de ajuda para reorganizar as finanças não devem comprometer a renda com apostas.
Na avaliação do vice-presidente, a renegociação se insere em um conjunto mais amplo de ações para reduzir o custo do crédito e aliviar o peso dos juros na economia. "São conjuntos de medidas em interesse da população e vamos trabalhar junto ao Banco Central para que a gente reduza essa taxa de juros que prejudica as famílias, as empresas e o próprio governo na rolagem da sua dívida", declarou.