Deltan Dallagnol diz que pode lançar esposa ao Senado pelo PR se tiver candidatura indeferida

Ele é pré-candidato pelo Novo, mas a cassação de seu mandato como deputado federal coloca em dúvida sua elegibilidade

24 jun 2026 - 19h41

O ex-procurador da Operação Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo-PR) afirmou que pode colocar sua esposa, Fernanda Dallagnol, "em seu lugar" para concorrer ao Senado pelo Paraná caso tenha sua candidatura indeferida pela Justiça Eleitoral. Em entrevista ao podcast A Tia Pod, ele disse que o vice-prefeito de Curitiba, Paulo Martins (Novo), é outra opção para disputar a vaga.

"Se eles me tirarem antes da eleição, eu vou colocar no meu lugar ou o Paulo Martins ou a minha esposa. São duas possibilidades. Ou o Paulo Martins, que é alguém que eu gosto, bom, ponta firme, fantástico, ou a minha esposa, ela não quer. Eu acho que eu não vou conseguir convencer ela, mas seria uma possibilidade simplesmente para dizer: 'O sistema não vai vencer, o sistema não vai vencer e a gente vai estar lá representado'", afirmou.

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Ele disse, no entanto, "partir do pressuposto que confia que a Justiça Eleitoral vai validar sua candidatura".

Deltan e a esposa, Fernanda Dallagnol, são filiados ao Partido Novo
Deltan e a esposa, Fernanda Dallagnol, são filiados ao Partido Novo
Foto: @deltandallagnol via Instagram / Estadão

Fernanda é advogada, empresária e embaixadora do movimento Mulheres pelo Novo Paraná, ligado ao partido. Nas eleições municipais, ela foi cogitada para cotada a prefeitura ou vice-prefeitura de Curitiba ou, então, para uma cadeira de vereadora na Câmara Municipal, mas acabou não concorrendo a nenhum cargo.

Dallagnol teve o mandato de deputado federal cassado em 2023 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base na Lei da Ficha Limpa, por ter pedido exoneração do Ministério Público Federal (MPF) enquanto respondia a 15 procedimentos administrativos. Ele não foi expressamente declarado inelegível pela Justiça Eleitoral, mas sua situação pode ser questionada por adversários.

Eleito deputado federal em 2022, Dallagnol teve a candidatura cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em maio de 2023. A Corte Eleitoral interpretou que ele pediu exoneração do cargo que ocupava no Ministério Público Federal (MPF) com antecedência, para evitar que procedimentos administrativos abertos contra ele avançassem no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e burlar, assim, as regras de inelegibilidade.

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Nos últimos meses, o partido Novo ingressou com ações na Justiça Eleitoral contra pessoas e veículos de comunicação que se referiram a Dallagnol como inelegível. O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) chegou a multar a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) e o vereador Pedro Rousseff (PT-MG) e determinar a retirada de conteúdos e proibir novas publicações sobre o tema.

Após entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de que impedir as publicações configurava "manifesta censura" e que a discussão sobre a inelegibilidade de Deltan, ainda que só seja definida no momento de registro da candidatura, faz parte do ambiente de discussão pública, o tribunal reformou as decisões.

O TRE-PR passou a considerar que manifestações públicas sobre a cassação e a eventual inelegibilidade do ex-procurador não caracterizam automaticamente desinformação eleitoral nem propaganda antecipada negativa, já que são "amparada em fatos públicos e decisões judiciais".

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