CPI do INSS: relatório aponta 'rede' que movimentou R$ 39 bilhões em diferentes esquemas

Documento apresentado pelo relator, Alfredo Gaspar, pede que polícia, 'urgentemente', aprofunde investigações sobre conjunto de empresas que estariam servindo ao crime organizado

28 mar 2026 - 02h46
(atualizado às 07h30)

BRASÍLIA - O relatório final da CPI do INSS, apresentado nesta sexta-feira, 27, aponta uma rede de 41 empresas que teriam sido usadas para pagamento de propinas e lavagem de dinheiro de diferentes esquemas. Esse conglomerado teria movimentado pelo menos R$ 39 bilhões entre 2018 e 2025.

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O texto afirma que "a quase totalidade" dessas empresas tem característica de ser de fachada, com indícios de que eram usadas para passagem de dinheiro em curtos intervalos de tempo.

"Evidenciou-se que parte do processo de branqueamento de capitais utilizado pela organização criminosa constituída para fraudar os descontos associativos do INSS corresponde à mesma estrutura utilizada por organizações criminosas violentas, como o PCC", diz o relatório do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL).

As suspeitas giram em torno da Arpar e de empresas do entorno dela. Essa firma entrou no radar da CPI porque Antônio Carlos Camilo Antunes repassou recursos da ordem de R$ 150 milhões.

Conhecido como Careca do INSS, ele é apontado como "principal operador financeiro do esquema de corrupção do INSS" e é um dos 216 incluídos na lista de pedidos de indiciamento.

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O relator da CPI do INSS, deputado Alfredo Gaspar, foi alvo de acusação de parlamentares ligados ao governo
O relator da CPI do INSS, deputado Alfredo Gaspar, foi alvo de acusação de parlamentares ligados ao governo
Foto: Wilton Junior / Estadão / Estadão

A CPI mapeou movimentações do conjunto de empresas que se relacionam com a Arpar. Segundo a investigação parlamentar, a rede de 41 usa os mesmos operadores financeiros que já apareceram em outras investigações da Polícia Federal como suspeitos de atender o PCC e o grupo Hezbollah.

Dos R$ 39 bilhões de movimentação identificados, R$ 20,4 bilhões foram em entradas e R$ 18,6 bilhões em saídas. Entre os beneficiários mapeados pela CPI, estão empresas que operam câmbio e que negociam criptoativos.

A estimativa é feita com base nos documentos das quebras de sigilos recebidos pela comissão. O texto afirma que o afastamento do sigilo de outras empresas poderia fazer o volume movimentado ultrapassar os R$ 45 bilhões.

O dono da Arpar é Rodrigo Moraes. O relatório pede o indiciamento dele pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, fraude eletrônica e furto eletrônico.

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"Dado o volume de recursos detectados, é altamente provável que essa rede criminosa opere a evasão de divisas e lavagem de capitais para outras estruturas criminosas que não só aquelas advindas dos descontos fraudulentos do INSS. Suspeita-se de uso da rede inclusive por organizações criminosas violentas", diz o relatório.

O relator Alfredo Gaspar destinou um capítulo específico ao que chamou de "Rede Arpar: a maior rede de operação de lavagem de dinheiro e evasão de divisas".

No documento, que ainda ainda será discutido e votado, diz os órgãos competentes devem, "urgentemente", aprofundar as investigações sobre o tema.

"Essas análises devem, urgentemente, serem aprofundadas pelos órgãos competentes dado o expressivo volume e as evidências de grande número de empresas de fachada, sócios laranja e lavagem de dinheiro para diversos esquemas, como o do INSS, pagamento de propina, mercado esportivo, minerário, organizações criminosas violentas, como PCC, e para organizações terroristas, como o Hezbollah. As empresas operam em camadas de circularização visando a pulverização dos recursos, inclusive com grande quantidade de valores indo para casas de câmbio e criptoativos", destacou.

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