BRASÍLIA - O relatório final da CPI do INSS, apresentado nesta sexta-feira, 27, aponta uma rede de 41 empresas que teriam sido usadas para pagamento de propinas e lavagem de dinheiro de diferentes esquemas. Esse conglomerado teria movimentado pelo menos R$ 39 bilhões entre 2018 e 2025.
O texto afirma que "a quase totalidade" dessas empresas tem característica de ser de fachada, com indícios de que eram usadas para passagem de dinheiro em curtos intervalos de tempo.
"Evidenciou-se que parte do processo de branqueamento de capitais utilizado pela organização criminosa constituída para fraudar os descontos associativos do INSS corresponde à mesma estrutura utilizada por organizações criminosas violentas, como o PCC", diz o relatório do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL).
As suspeitas giram em torno da Arpar e de empresas do entorno dela. Essa firma entrou no radar da CPI porque Antônio Carlos Camilo Antunes repassou recursos da ordem de R$ 150 milhões.
Conhecido como Careca do INSS, ele é apontado como "principal operador financeiro do esquema de corrupção do INSS" e é um dos 216 incluídos na lista de pedidos de indiciamento.
A CPI mapeou movimentações do conjunto de empresas que se relacionam com a Arpar. Segundo a investigação parlamentar, a rede de 41 usa os mesmos operadores financeiros que já apareceram em outras investigações da Polícia Federal como suspeitos de atender o PCC e o grupo Hezbollah.
Dos R$ 39 bilhões de movimentação identificados, R$ 20,4 bilhões foram em entradas e R$ 18,6 bilhões em saídas. Entre os beneficiários mapeados pela CPI, estão empresas que operam câmbio e que negociam criptoativos.
A estimativa é feita com base nos documentos das quebras de sigilos recebidos pela comissão. O texto afirma que o afastamento do sigilo de outras empresas poderia fazer o volume movimentado ultrapassar os R$ 45 bilhões.
O dono da Arpar é Rodrigo Moraes. O relatório pede o indiciamento dele pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, fraude eletrônica e furto eletrônico.
"Dado o volume de recursos detectados, é altamente provável que essa rede criminosa opere a evasão de divisas e lavagem de capitais para outras estruturas criminosas que não só aquelas advindas dos descontos fraudulentos do INSS. Suspeita-se de uso da rede inclusive por organizações criminosas violentas", diz o relatório.
O relator Alfredo Gaspar destinou um capítulo específico ao que chamou de "Rede Arpar: a maior rede de operação de lavagem de dinheiro e evasão de divisas".
No documento, que ainda ainda será discutido e votado, diz os órgãos competentes devem, "urgentemente", aprofundar as investigações sobre o tema.
"Essas análises devem, urgentemente, serem aprofundadas pelos órgãos competentes dado o expressivo volume e as evidências de grande número de empresas de fachada, sócios laranja e lavagem de dinheiro para diversos esquemas, como o do INSS, pagamento de propina, mercado esportivo, minerário, organizações criminosas violentas, como PCC, e para organizações terroristas, como o Hezbollah. As empresas operam em camadas de circularização visando a pulverização dos recursos, inclusive com grande quantidade de valores indo para casas de câmbio e criptoativos", destacou.