O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso afirmou que a Corte atravessa um "momento difícil" diante do caso do Banco Master. A declaração faz referência às recentes divulgações de ligações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com Daniel Vorcaro, dono do banco.
Barroso elogiou a condução do caso pelo presidente do STF, Edson Fachin, e pelo relator do processo, André Mendonça. Em entrevista à GloboNews nesta terça-feira, 10, Barroso reconheceu que há uma percepção crítica sobre o tribunal, mas afirmou que é preciso aguardar o avanço das investigações antes de tirar conclusões.
"Há uma percepção crítica real. Eu leio jornal, eu vou à farmácia, eu tenho amigos. Portanto, é um momento difícil. Mas acho que a gente não deve fazer juízos precipitados", disse.
Conforme as investigações da Polícia Federal, Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes conversaram por WhatsApp ao longo do dia 17 de novembro de 2025, data na qual foi cumprida a primeira ordem prisão contra o banqueiro.
Além disso, a mulher do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes, firmou um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master que previa que o escritório da família trabalhasse na defesa dos interesses da instituição e de Vorcaro no Banco Central, na Receita Federal e no Congresso Nacional, como revelou o jornal O Globo.
Outro ministro envolvido no caso é Dias Toffoli, o ex-relator do processo na Corte. O magistrado chegou a admitir que é sócio da empresa Maridt, dirigida por seus dois irmãos e que tinha participação em dois resorts da rede Tayayá.
A empresa de Toffoli vendeu sua fatia no negócio de hospedagem no Paraná a fundos de investimentos que tinham como acionista o pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro. Zettel foi financiador das campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Toffoli renunciou a relatoria do caso após a PF revelar as menções a ele no celular de Vorcaro.
Barroso afirmou na entrevista que nunca tinha ouvido falar do banqueiro antes das polêmicas e disse que prefere esperar o resultado das investigações antes de fazer avaliações. Segundo ele, mesmo que algo eventualmente seja considerado criticável, não é possível antecipar conclusões.
Durante a entrevista, o jornalista Roberto D'Ávila perguntou, em tom de brincadeira, se Barroso apagava mensagens do celular, em referência às menções de Moraes e Toffoli nas conversas de Vorcaro. O ministro aposentado respondeu que não. "Não percebi a maldade da sua pergunta", disse.
Ainda na entrevista, Barroso defendeu a criação de mandatos de até 12 anos para ministros do STF. Para ele, a exposição pública prolongada pode se tornar um problema para os integrantes da Corte e suas famílias.
"A exposição pública, ao longo do tempo, ela vai se tornando insuportável. Ela é pessoalmente insuportável, mas sobretudo porque afeta muito as pessoas que você gosta", afirmou.
O ex-presidente da Corte também elogiou a iniciativa da criação de um código de ética para os ministros do STF, mas avaliou que o momento para discutir a proposta pode não ter sido o mais adequado. A medida é defendida por Fachin.
Barroso anunciou sua aposentadoria em outubro de 2025, após ter passado 12 anos no Tribunal. O ministro integrou a Corte entre 2013 e 2025, após ser indicado pela então presidente Dilma Rousseff (PT). Durante sua passagem pelo tribunal, participou de julgamentos relevantes nas áreas de direitos fundamentais, política e sistema eleitoral, além de ter presidido o STF e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).