A campanha de Flávio Bolsonaro enviará um novo relatório ao TSE contra o canal "Exército do Lula", coordenado por André Janones, após técnicos da Corte não encontrarem fake news no grupo. A equipe do candidato acusa o canal de apagar mensagens para burlar a fiscalização e espalhar desinformação. O canal chegou a ser derrubado por ordem do ministro Kássio Nunes Marques, mas a suspensão foi revogada pelo ministro Ricardo Villas Bôas Cueva devido à insuficiência de provas apresentadas.
O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, voltou a questionar o canal de WhatsApp "Exército do Lula", com acusações de difundir conteúdo desinformativo, em nota nesta segunda-feira, 12. A manifestação ocorre após a área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter relatado que não encontrou fake news no grupo coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A nota diz que a campanha vai encaminhar um novo relatório técnico à Corte Eleitoral.
A campanha de Flávio diz que o canal "conservava a estratégia de apagar sistematicamente comandos e os conteúdos disparados, justamente para inviabilizar o controle tanto pela plataforma, como pelo Tribunal Superior Eleitoral".
Também afirma que entre as mensagens apagadas estavam links e ordens que ligavam o canal a vídeos sobre "falsa informação" do cancelamento do reajuste do Bolsa Família e de redução das aposentadorias.
"O canal é um exemplo de burla a todos os instrumentos de controle. Orienta os seguidores a não encaminharem os conteúdos ali postados, tendo em vista que há limites de encaminhamento justamente para evitar a disseminação em massa de material ilegal. A orientação é a de que todos copiem e colem, fugindo a qualquer tipo de limitação quantitativa", diz a campanha de Flávio.
A nota prossegue: "Também há orientações sobre mudança no sistema de sinalização que é próprio dos canais e o pedido de que todos divulguem os conteúdos ali postados sem sequer assistirem os vídeos respectivos, para enganar os algoritmos da plataforma, ampliando a relevância".
O candidato diz ainda: "Outro comportamento que favorece a burla de todos os mecanismos de controle é o de não digitar, escrever, conteúdos desinformativos. Janones escreve, digita, apenas o comando: EXPLODAM, COMPARTILHEM e associa o comando a links de mídias. Isso dificulta o controle daquilo que está sendo disseminado. O falso está no link, e não no comando".
A campanha alega que há "flagrante descumprimento" do Plano de Conformidade celebrado entre a Meta e o TSE, "claríssimo ao vedar o uso de canais para fins ilícitos ou sua instrumentalização para inviabilizar qualquer controle". Também sustenta que "proibir a disseminação de fake News e combater canais que deliberadamente se comportam de forma a burlar os mecanismos de controle não é e nem nunca foi censura. É obrigação legal".
No domingo, 11, o presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, atendeu a um pedido da campanha de Flávio e determinou a derrubada do canal de Janones, que já acumula mais de três milhões de participantes. A campanha do candidato do PL reclamou de conteúdos relacionados à Nossa Senhora Aparecida e a retirada do posto de Padroeira do Brasil, além de materiais sobre envolvimento do senador com a milícia e sobre a redução de aposentadoria, pensões e benefícios.
No mesmo dia, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, do TSE, suspendeu a decisão de Nunes Marques, por considerar que as provas apresentadas pela campanha de Flávio eram insuficientes. Segundo a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação da Corte, "no período examinado (2 a 11 de outubro de 2026), não foram localizadas publicações que reproduzam essas afirmações", em relação á queixa de disseminação de fake news.