Câmara dos EUA poderá investigar Eduardo Bolsonaro sobre ataque ao Capitólio

O parlamentar esteve em Washington em 6 de janeiro de 2021, dia da invasão, para agendar uma reunião com Jared Kushner, o genro de Trump

1 ago 2022 - 16h15
(atualizado às 17h24)
Foto: CartaCapital

A comissão da Câmara dos Estados Unidos que investiga o ataque ao Capitólio está interessada em informações sobre os vínculos da família Bolsonaro com Steve Bannon, ex-assessor e estrategista-chefe da Casa Branca no governo de Donald Trump, e avalia incluir o nome do deputado federal Eduardo Bolsonaro (União Brasil-SP) nas investigações. O parlamentar esteve em Washington em 6 de janeiro de 2021, dia da invasão, para agendar uma reunião com Jared Kushner, o genro de Trump.

O deputado democrata americano Jamie Raskin, que integra o comitê - chamado January 6th Comitee -, se reuniu na semana passada com uma comitiva brasileira que foi aos EUA tratar sobre eventual risco de ruptura institucional nas eleições do Brasil.

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Um participante da reunião relatou ao Estadão que informações sobre o filho "03" do presidente Jair Bolsonaro (PL) são "bem-vindas", pois a comissão buscará agora entender as ramificações internacionais do movimento de contestação às eleições de 2020 naquele país. A comitiva brasileira foi composta com representantes de entidades ligadas à defesa dos direitos humanos, como a Comissão Arns, a Conectas, o Instituto Vladimir Herzog e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil.

Raskin ressaltou a proximidade ideológica e a admiração declarada que o deputado brasileiro demonstra por Steve Bannon. No ano passado, no mesmo dia em que o Congresso brasileiro votava a PEC do voto impresso, Eduardo subiu ao palco ao lado do estrategista americano em um evento nos Estados Unidos e fez acusações de fraude sobre as urnas eletrônicas.

Durante o encontro, o parlamentar americano disse ainda que teme o rumo que as eleições estão tomando no Brasil e a possibilidade de haver no País episódio semelhante à invasão ao Capitólio.

Neste domingo, 31, o jornal britânico Financial Times registrou o interesse da comissão pela atuação de Flávio Bolsonaro.

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Recentemente, a Casa Branca divulgou nota reafirmando a confiança no processo eleitoral brasileiro, mesmo sem citar Bolsonaro, pouco após o presidente fazer a investida mais enfática contra o sistema eletrônico de votação até o momento.

No dia 18 de julho, o chefe do Executivo reuniu embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada para desacreditar as urnas eletrônicas e colocar em descrédito os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cuja função é garantir a lisura do processo eleitoral. A ação foi repudiada por entidades da sociedade civil, empresários, juristas e líderes políticos.

Steve Bannon, de quem a família Bolsonaro é admiradora declarada, é considerado um "conselheiro informal" de campanhas políticas dos populistas de direita. O evento que reuniu o ex-assessor e Eduardo no ano passado foi destinado a apoiadores de Trump e sustentava que o republicano ganhou as eleições de 2020, em vez de Joe Biden.

O deputado Eduardo Bolsonaro foi procurado para comentar as declarações de Jamie Raskin, mas não se manifestou até a publicação desta reportagem.

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