O candidato presidencial Augusto Cury (Avante) defendeu elevar a taxação das bets para 52% a fim de gerar R$ 120 bilhões e reforçar o caixa público. Cury propôs cortar até dez ministérios, criar a pasta da Segurança Pública e rejeitou novas reformas da Previdência. Suas propostas econômicas incluem reajuste do Bolsa Família e ganho real de 1% ao ano para o salário mínimo. O candidato também defendeu expandir a telemedicina no SUS com uso de IA e oferecer métodos educacionais próprios à rede pública.
O candidato do Avante à Presidência da República, Augusto Cury, afirmou que uma taxação de 52% sobre as bets seria "razoável". Segundo ele, o aumento da tributação das empresas de apostas ajudaria o governo a reforçar o caixa e contribuiria para o ajuste das contas públicas. A declaração foi feita durante sabatina promovida pela TV Globo.
Cury afirmou que as bets pagam atualmente cerca de 12% de impostos e defendeu uma elevação de 40 pontos percentuais. Atualmente, na verdade, a taxação das bets é de 13%. Segundo o candidato, as apostas movimentam entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões por mês e o aumento da tributação poderia gerar cerca de R$ 120 bilhões adicionais para o governo.
Caso eleito, o candidato diz que pretende cortar de oito a dez ministérios, como forma de enxugar e modernizar a máquina pública. Contudo, não quis detalhar quais pastas deixariam de existir. Ele também afirmou que criaria outras estruturas, e deu o exemplo de um Ministério da Segurança Pública. Segundo ele, o ex-governador de Goiás e também candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), seria convidado para comandar a pasta.
Cury disse que a definição das pastas que seriam eliminadas dependerá de uma "análise criteriosa". Segundo o candidato, a estimativa de corte foi definida após uma avaliação com um grupo de pessoas sobre a possibilidade de fundir ministérios e otimizar gastos.
Ele também defendeu um reajuste para o Bolsa Família e afirmou não ser a favor de uma nova reforma da Previdência "em hipótese alguma". O candidato defendeu o aumento da produtividade das empresas como forma de enfrentar o déficit no sistema previdenciário.
Política de reajuste do salário mínimo
Durante a entrevista, Augusto Cury afirmou que pretende manter o ganho real do salário mínimo, embora com regra diferente da atual, que prevê um aumento vinculado ao crescimento do País. Cury diz que pretende garantir a reposição da inflação e mais 1% ao ano no salário mínimo.
Cury disse que a política de valorização do salário mínimo seria necessária para fortalecer a classe média. Segundo o candidato, o ganho real poderia resultar em uma alta acumulada de 50% a 60% ao longo de quatro anos.
"Se controlarmos as contas públicas e formos mais responsáveis, certamente vai haver espaço para você ter, pelo menos, 1% ao ano a mais do que a inflação", disse o candidato. Nos próximos oito a dez anos, o candidato enxerga que o salário mínimo brasileiro pode alcançar US$ 300.
Cury diz que não é mais embaixador de empresa de telemedicina
Augusto Cury negou ter vínculo atual com uma empresa de telemedicina da qual já foi sócio. Ele disse que não é mais embaixador do programa da companhia. Questionado sobre eventual conflito de interesse ao propor a ampliação da telemedicina no Sistema Único de Saúde (SUS), Cury disse que sua experiência com a empresa lhe permite afirmar que o modelo pode ser aplicado de forma "barata" e "eficiente".
Cury afirmou que uma telemedicina estruturada pelo governo poderia resolver 80% dos casos de atendimento no SUS. Segundo ele, o serviço teria médicos disponíveis 24 horas por dia e uso de inteligência artificial.
Questionado sobre a compatibilidade da proposta com as regras do Conselho Federal de Medicina (CFM), que preservam a assistência presencial, Cury disse que o órgão "precisa ser atualizado" diante do avanço tecnológico.
Na educação, Cury negou que pretenda comercializar para escolas públicas os programas de ensino e desenvolvimento emocional que criou. Ele afirmou que ofereceria gratuitamente às escolas públicas um programa baseado em métodos que desenvolveu, mas disse que não está propondo a adoção obrigatória de seu modelo.
Segundo o candidato, eventuais mudanças deveriam envolver a revisão da Base Nacional Curricular e a participação de especialistas e do Conselho Nacional de Educação.