Artigo de opinião de 2025 acusando 'golpe de Estado no STF' circula como se fosse recente

COLUNISTA DO 'THE WALL STREET JOURNAL' CRITICOU AUTORIDADE DE ALEXANDRE DE MORAES NO JUDICIÁRIO BRASILEIRO

14 out 2026 - 15h25
Resumo
Publicações nas redes sociais resgatam, fora de contexto, um artigo de opinião de agosto de 2025 do The Wall Street Journal como se fosse recente. No texto, a colunista Mary Anastasia O'Grady acusava o STF e o ministro Alexandre de Moraes de aplicarem um golpe de Estado, criticando inquéritos sobre fake news e milícias digitais. A checagem do Estadão Verifica esclarece que o conteúdo reflete a opinião antiga da autora, e não uma posição institucional recente do jornal norte-americano.

O que estão compartilhando: que o veículo de notícias americano The Wall Street Journal (WSJ) teria afirmado que o ministro Alexandre de Moraes e outros membros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão dando um golpe de estado no Brasil.

Postagem omite que a notícia é do dia 10 de agosto de 2025.
Postagem omite que a notícia é do dia 10 de agosto de 2025.
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: falta contexto. Um artigo de opinião publicado no WSJ em agosto do ano passado está circulando como se fosse recente. Na época, a colunista Mary Anastasia O'Grady citou o inquérito das fake news e o das milícias digitais, e criticou a autoridade de Alexandre de Moraes no judiciário brasileiro.

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Saiba mais: Mary Anastasia O'Grady escreve uma coluna semanal sobre política, economia e negócios das Américas, no jornal americano The Wall Street Journal. A colunista é conhecida por suas visões conservadoras e críticas a governos de esquerda na América Latina.

Recentemente, um artigo de opinião publicado por O'Grady no WSJ que critica o STF voltou a circular. Postagens utilizam um trecho do noticiário Os Pingos nos Is, da Jovem Pan. O vídeo original, no entanto, é do dia 25 de agosto de 2025, e o artigo discutido, do dia 10 daquele mês.

Isso é antes das eleições presidenciais e da divulgação das conexões entre membros da Corte com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que foi preso pela primeira vez em novembro daquele ano.

O artigo de O'Grady, intitulado Um golpe de Estado na Suprema Corte do Brasil, acusa o ministro Alexandre de Moraes de "censurar críticos e prender opositores sem qualquer controle político". Três dias antes, o editorial do Estadão publicou um texto de opinião criticando Moraes, argumentando que a Corte precisava obedecer os limites do Estado de Direito "não só diante do reiterado golpismo bolsonarista, mas também ante os excessos de Alexandre de Moraes".

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Na época, Moraes era o relator do inquérito das fake news e das milícias digitais. Em setembro deste ano, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, retirou o ministro da condução do inquérito das fake news e transferiu o caso para a Presidência da Corte. Isso aconteceu após o Estadão divulgar mensagens entre Vorcaro e Moraes sobre detalhes da Operação Compliance Zero, que investiga o ex-banqueiro.

As ideias de O'Grady foram analisadas pela imprensa na época. A colunista criticou, por exemplo, a criação do inquérito das fake news, em 2019, que foi aberto por decisão direta do então presidente do STF, Dias Toffoli, sem a participação do Ministério Público, que é a instituição responsável por investigar e denunciar criminalmente no País, segundo a Constituição Federal.

"Isso foi uma violação dos direitos constitucionais dos brasileiros, que têm o direito de ter seus processos criminais julgados em tribunais locais e estaduais, com acusações apresentadas por promotores locais e estaduais", argumentou a colunista.

Em junho de 2020, o Supremo julgou a legalidade do inquérito das fake news, após forte contestação. Prevaleceu o entendimento de que a Presidência do STF pode abrir inquéritos de ofício com base no regimento da Corte.

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No texto de 2025, O'Grady também citou o inquérito das milícias digitais, de 2021, "que forçou a censurar conteúdo e desmonetizar brasileiros que tinham opiniões que o tribunal considerou inaceitáveis", segundo ela.

Segundo reportagem publicada pelo Estadão, "gabinete do ódio" ou "milícias digitais" foram os nomes dados a um núcleo organizado dentro do Palácio do Planalto envolvendo membros e assessores da família Bolsonaro para promover ataques a adversários políticos do ex-presidente Jair Bolsonaro. A estrutura é alvo do inquérito das milícias digitais, sob relatoria de Moraes.

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