Aliados de Lula avaliam que virada depende de melhora nas pesquisas até sexta-feira; veja bastidor

Reunião com o presidente do PT, Edinho Silva, demonstra otimismo comedido e expectativa com os levantamentos de intenção de votos; a Quaest divulga sua primeira pesquisa depois do primeiro turno das eleições nesta quarta-feira, 14

14 out 2026 - 09h54
Resumo
Aliados de Lula avaliam que a virada contra Flávio Bolsonaro depende da melhora nas pesquisas até o fim da semana para manter a militância mobilizada. Levantamentos internos e dados recentes indicam aproximação entre os candidatos, gerando otimismo moderado na campanha petista. Como estratégias para a reta final, o grupo aposta no combate à abstenção, na força regional do partido e na intensificação da presença de Lula nos grandes colégios eleitorais do Sudeste, como São Paulo, Rio e Minas Gerais.

BRASÍLIA - Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliaram ontem, 13, em reunião com o presidente do PT, Edinho Silva, que uma eventual virada de Lula na disputa presidencial depende de uma melhora razoável nas pesquisas até o fim desta semana, apurou o Estadão/Broadcast.

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Edinho se reuniu com lideranças do PSB, PSOL, Rede, PV, PDT e MDB. O clima foi muito mais ameno do que na semana passada, quando o presidente do PT chamou os aliados para uma conversa logo após o resultado do primeiro turno. Naquela oportunidade, houve cobranças mais enfáticas por mudanças na comunicação e no discurso da campanha.

Na noite de ontem, houve um otimismo comedido. Edinho apresentou aos presentes o retrato das pesquisas internas contratadas pelo partido (conhecidas como "trackings"). Disse que a trajetória identificada por esses levantamentos, que não são oficiais e, por isso, não podem ser divulgados, é de aproximação de Lula e do senador Flávio Bolsonaro (PL) nos últimos dias. Os números, segundo apurou a reportagem, indicam uma diferença de cerca de dois pontos porcentuais entre os dois nos votos válidos e animaram os presentes.

O presidente do PT, Edinho Silva, ao lado de Lula durante o pronunciamento após a apuração dos votos do primeiro turno.
O presidente do PT, Edinho Silva, ao lado de Lula durante o pronunciamento após a apuração dos votos do primeiro turno.
Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

Políticos ouvidos pelo Estadão/Broadcast disseram que há uma percepção de que as pesquisas até o fim da semana serão definidoras para a campanha de Lula chegar com alguma esperança de virada na semana final.

A Quaest divulga sua primeira pesquisa depois do primeiro turno das eleições nesta quarta-feira, 14. O Datafolha divulga na quinta-feira, 15, a segunda pesquisa desta fase. Pesquisa PoderData/Aya divulgada na terça, 13, mostrou uma queda de quatro pontos porcentuais na distância de Lula e Flávio no segundo turno em uma semana. Antes, o senador tinha 53%, contra 47% de Lula. No levantamento divulgada ontem, o petista tinha 49% e Flávio, 51%.

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O ex-ministro da Infraestrutura e atual senador Renan Filho (MDB), que esteve presente no encontro, afirmou a jornalistas, ao sair da reunião, que, em se comprovando uma aproximação de Lula e Flávio nas pesquisas, os aliados do presidente chegarão à semana final de campanha "com a faca nos dentes" para tentar a virada. Deixou implícito em sua fala a importância dessa aproximação para não desmobilizar a militância na reta final.

As mobilizações realizadas no País desde a semana passada serviram como injeção de ânimo aos aliados de Lula. Também houve uma avaliação interna, compartilhada na reunião, de que a estratégia de redes sociais tem sido bem-sucedida desde a semana passada. Foi uma forma de os presentes demonstrarem apoio às mudanças feitas na campanha petista depois do primeiro turno.

O encontro de ontem foi uma forma de o presidente do PT, que coordena a campanha de Lula, ouvir as percepções dos aliados. Cada um teve a oportunidade de falar um pouco de suas avaliações regionais e pessoais sobre o momento vivido no Brasil e na campanha petista.

Renan Filho, por exemplo, defendeu uma campanha forte para reduzir a abstenção. A sugestão dele foi para que os petistas estimulem que eleitores já simpáticos ao presidente levem parentes e amigos que não votaram no primeiro turno. Falou que é mais fácil colocar esse poder nas mãos dos eleitores do que buscar um eleitor hipotético que se absteve.

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Outra avaliação compartilhada na reunião foi de que a campanha de Lula precisa focar seus esforços em Estados em que o PT é mais forte. Não foi uma cobrança direta para centralizar o empenho no Nordeste, mas essa percepção é compartilhada por alguns dos presentes no encontro - boa parte deles do Nordeste.

Haverá reuniões setoriais de políticos de cada região com Edinho nos próximos dias - a começar por hoje. A ideia é estabelecer estratégias específicas para a reta final da campanha em cada uma das regiões.

Lula, porém, insistirá no Sudeste e nos maiores colégios eleitorais para tentar reduzir a distância para Flávio Bolsonaro e buscar uma virada na reta final de campanha. Depois de participar de um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, no domingo, 11, ele viaja a Minas Gerais e ao Rio no fim desta semana.

Lula ainda encerrará a campanha, na semana que vem, com atos no Rio e em São Paulo, em uma demonstração do esforço pessoal do presidente da República de melhorar sua votação nos maiores colégios eleitorais.

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