BRASÍLIA - O vice-presidente Geraldo Alckmin acusou nesta sexta-feira, dia 29, o pré-candidato a presidente de oposição e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de tentar desviar o foco do escândalo do Banco Master com a designação de facções criminosas pelos Estados Unidos como grupos terroristas. Além do que considera uma manobra diversionista, o vice citou riscos ao sistema financeiro nacional.
Após pedido expresso de Flávio, o governo Donald Trump tomou a decisão, gestada há meses, de adotar a classificação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), à revelia do governo Luiz Inácio Lula da Silva.
"O que eu lamento nesse episódio que você se referiu é que, infelizmente, membros do clã Bolsonaro pensam mais em si do que no País. Então, para sair desse tema do Banco Master, o maior caso de corrupção e sonegação de tributos, aí ficam gerando factoides, fatos novos para desviar a atenção da questão do Banco Master, que é gravíssima do ponto de vista de corrupção e de sonegação", afirmou Alckmin, que cumpre agenda pública em Caraguatatuba (SP).
Como mostrou o Estadão, o governo Lula teme os efeitos financeiros e estuda o alcance da medida. Diplomatas dizem que mesmo sem ter ideia de que houve transações de recursos ilícitos, os bancos podem se ver alcançados por restrições dos EUA, a partir do Tesouro americano.
O governo foi alertado por membros do sistema financeiro do risco de sanções, como ocorreu com o México, onde três bancos foram proibidos de operar com o sistema americano, por suspeita de lavar dinheiro para carteis desingados pelo Departamento de Estado.
"Isso é ruim para o Brasil. Pode ter consequências na área do sistema financeiro, na área da economia. Não vai resolver nada em termos de combate ao crime e pode prejudicar a economia", resumiu o vice-presidente.