O ministro Cristiano Zanin, do STF, estendeu a votação do segundo turno em todo o Brasil até as 19h deste domingo, adiando também o início da apuração pelo TSE. A decisão atendeu a um pedido da campanha do presidente Lula, motivado por graves relatos de dificuldades no transporte público de eleitores em ao menos nove estados, incluindo redução de frotas e problemas de gratuidade. A medida ampliou o prazo em duas horas nacionalmente para garantir o pleno direito ao voto da população.
A votação do segundo turno das Eleições 2026 foi prorrogada em todo o país até as 19h deste domingo (25). A decisão foi tomada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após pedidos relacionados a dificuldades enfrentadas por eleitores para chegar às urnas.
"Considerando a gravidade dos fatos narrados, que chegaram ao conhecimento do Supremo Tribunal Federal em 16:32:49, da data de hoje, e diante da urgência evidente na medida, determino prorrogação por duas horas, até às 19h, horário de Brasília, do encerramento do recebimento dos votos em todas as seções de todo o Brasil, cabendo ao TSE dar cumprimento", afirmou.
A medida amplia em duas horas o prazo previsto inicialmente para o encerramento da votação e paraliza a apuração dos votos pelo Tribunal Superior Federal (TSE). O pedido que deu origem à discussão partiu da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, em um primeiro momento, envolvia três municípios da Bahia.
Zanin prorroga votação após relatos sobre transporte
A campanha solicitou inicialmente a extensão do horário em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, diante de problemas relacionados à oferta de ônibus. Ao longo do domingo, porém, os advogados afirmaram ter recebido relatos semelhantes em outras regiões e apresentaram uma nova solicitação.
O documento mencionava ocorrências em pelo menos nove estados: São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Roraima, Piauí, Paraíba, Pará, Paraná e Rio de Janeiro. Entre os problemas apresentados estavam redução da frota, longos períodos de espera, dificuldades para utilizar a gratuidade do transporte e falhas em rotas destinadas ao deslocamento de eleitores.
Em São Paulo, por exemplo, a petição apontou que a quantidade de ônibus em circulação estaria abaixo da determinada para o dia da eleição. Já em Roraima, o pedido apontou problemas em rotas usadas por comunidades indígenas. No Rio de Janeiro, há relatos de longos períosos de espera e redução da frota em cidades como Petrópolis e São Gonçalo. Ademais, no Pará, as reclamações se concentraram em dificuldades de deslocamento na região do Marajó.
Campanha apresentou pedidos ao STF e ao TSE
A coligação, então, levou a solicitação tanto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quanto ao STF. No Supremo, Cristiano Zanin foi sorteado relator do processo e determinou a ampliação do horário em todo o território nacional. O pedido apresentado à Justiça também incluía outras providências.
Entre elas, a coligação solicitou atuação da Polícia Federal e de outras autoridades diante de eventuais responsáveis "pelo embaraço" ao exercício do voto. Além disso, a Federação Brasil da Esperança pediu que os juízos eleitorais distribuíssem senhas aos eleitores que já estivessem nos locais de votação no momento previsto inicialmente para o encerramento.