O que deveria representar proteção acabou não sendo suficiente para impedir uma tragédia. Uma mulher de 43 anos foi assassinada a facadas dentro da própria casa, no bairro de Sítio dos Pintos, na Zona Norte do Recife, mesmo após conseguir na Justiça uma medida protetiva contra o ex-companheiro.
O homem, que utilizava tornozeleira eletrônica por determinação judicial, foi localizado pouco tempo depois do crime e preso em flagrante.
A vítima era Valdelene Guedes Alcoforado, conhecida como "Val". Segundo familiares, o relacionamento havia terminado meses antes em razão de episódios de violência. Inconformado com o fim da relação, o ex-companheiro teria passado a perseguir a mulher, levando-a a procurar ajuda das autoridades.
Em 16 de junho, Valdelene denunciou o suspeito por violência doméstica. A partir da denúncia, a Justiça determinou medidas protetivas para impedir qualquer aproximação, além do monitoramento eletrônico do investigado.
Apesar da decisão judicial, a família afirma que as ameaças continuaram. Na última quinta-feira (9), o homem teria invadido a residência da vítima, destruído objetos pessoais, quebrado aparelhos celulares e incendiado roupas. O episódio foi mais um sinal da escalada de violência vivida por Valdelene.
Na tarde de sábado, o suspeito voltou ao imóvel. Conforme as primeiras informações da investigação, ele invadiu novamente a casa e desferiu vários golpes de faca contra a ex-companheira. A mulher sofreu ferimentos graves e morreu antes da chegada do socorro.
Logo após o feminicídio, policiais realizaram buscas na região e localizaram Alexsandro Vaz da Silva, de 43 anos, nas proximidades da residência. Ele recebeu voz de prisão em flagrante e foi levado para a delegacia, onde passou pelos procedimentos legais. Segundo informações divulgadas pelas autoridades, o suspeito confessou o crime durante o depoimento.
A Polícia Civil instaurou inquérito para esclarecer todos os detalhes do caso e apurar as circunstâncias do assassinato.
Valdelene deixa três filhos — uma jovem adulta, uma menina de 8 anos e um menino de 6 anos. O crime provocou forte comoção entre familiares, vizinhos e amigos, que lamentaram a morte da vítima e cobraram mais efetividade na proteção de mulheres ameaçadas por ex-companheiros.
O velório e o sepultamento foram organizados pela família após a liberação do corpo. O enterro foi marcado para as 11h da segunda-feira (13), no Cemitério da Várzea, localizado na Zona Oeste do Recife.