Uma operação da Polícia Civil realizada na manhã desta terça-feira, 2 de junho, resultou na prisão de um delegado e dois agentes investigados por suposto envolvimento em um esquema criminoso que teria utilizado a própria estrutura estatal para favorecer o tráfico de drogas na Paraíba.
A ação, batizada de Operação Perfídia, foi deflagrada em João Pessoa e integra uma investigação que apura crimes como tráfico de entorpecentes, corrupção e vazamento de informações sigilosas.
Ao todo, foram expedidos nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também autorizou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores ligados aos investigados.
Delegado preso
Entre os presos está o delegado Braz Morroni, que atualmente atua na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio da capital paraibana.
Com mais de duas décadas de atuação na Polícia Civil, ele também passou por setores especializados no combate ao tráfico de drogas ao longo da carreira.
Segundo a investigação, integrantes do grupo teriam fornecido informações estratégicas a organizações criminosas, incluindo dados sigilosos relacionados a imóveis, veículos e operações policiais.
Desvio de drogas para revenda
As apurações indicam ainda que drogas apreendidas durante ações de combate ao tráfico eram desviadas e posteriormente reintroduzidas no mercado ilegal.
Também foram presos os investigadores Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido pelos apelidos de "Bomba" e "Bombado", e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, chamado de "Mão Branca".
Conforme os investigadores, Everton exerceria um papel de articulação entre integrantes da polícia e traficantes, enquanto Eduardo é apontado como participante direto das ações de ocultação e movimentação de drogas desviadas.
Outros detidos
Além dos agentes públicos, outras pessoas suspeitas de integrar a organização também foram alvos da operação.
Entre os detidos estão João Wicttor Alves de Lima, Brendo Roberth Fernandes Sobral, Paulo Ricardo Barbosa de Souza, conhecido como "Galinha", José Alexandrino de Lira Júnior, chamado de "Júnior Lira", Vanessa Dantas Fernandes e Dankennedy Vieira Brito da Silva, apelidado de "Babau".
Operação Perfídia
De acordo com a Polícia Civil, o nome da operação faz referência ao significado da palavra "perfídia", associada à traição e à quebra de confiança.
Para os investigadores, a denominação representa a conduta atribuída aos suspeitos, que teriam se aproveitado de cargos e funções públicas para beneficiar atividades criminosas.
As investigações continuam para identificar a extensão do esquema, eventuais novos envolvidos e o volume de drogas que pode ter sido desviado ao longo da atuação do grupo.
Até a publicação desta matéria, as defesas dos investigados não haviam se manifestado sobre as acusações.