Defesa e acusação de pagodeiro se isentam de 'culpa' em adiamento

Evandro Gomes Correia filho é acusado pela morte da ex-mulher Andréa Cristina Bezerra Nóbrega, em 18 de novembro de 2008

8 mai 2013 - 17h29
(atualizado às 17h32)
Disfarçado, o pagodeiro alegou inocência durante uma entrevista em 2010 no escritório do seu advogado
Disfarçado, o pagodeiro alegou inocência durante uma entrevista em 2010 no escritório do seu advogado
Foto: André Lessa / Agência Estado

Após o adiamento do júri popular do pagodeiro Evandro Gomes Correia Filho, 40 anos, que aconteceria a partir desta quarta-feira no Fórum de Guarulhos, na Grande São Paulo, defesa e acusação do réu se isentaram de "culpa" pela não realização do julgamento. Enquanto o advogado Ademar Gomes fala em "cerceamento da defesa", o promotor Rodrigo Merli afirma que "mais uma vez aquele que se vale da própria torpeza, leva vantagem".

Publicidade

Evandro é acusado pela morte da ex-mulher Andréa Cristina Bezerra Nóbrega, 31 anos, em 18 de novembro de 2008, e pela tentativa de homicídio de seu filho, L.M.N, com 6 anos à época. Foragido desde então, ele nega o crime. O advogado Ademar Gomes defende que só exigiu que a lei fosse cumprida e que durante esta tarde o seu cliente se manteve nas proximidades do fórum, dentro de um carro, pronto para se apresentar e dar a sua versão sobre o crime.

"Nós não queríamos adiar, pelo amor de Deus. Nós só exigíamos que fosse cumprida a lei. O Evandro está por aqui andando. Está em um carro por aqui. Esperando uma ordem minha para se apresentar", disse ele, após a decisão do juiz Eduardo de Almeida Chaves Marsiglia, que remarcou o júri para o próximo dia 11 de setembro.

O adiamento do júri se deu depois que Ademar Gomes anexou novas provas ao processo, no último dia 2 de maio, alegando que elas eram "imprescindíveis" para a defesa do réu. Entre os documentos estava um parecer de um psicólogo que atestava que a vítima tinha tendências suicidas. A conclusão foi tomada após a análise de duas fotos que ela endereçaria aos irmãos e que tinham em seu verso textos escritos de próprio punho por ela.

Além disso, dois celulares, que seriam de Evandro, continham mensagens enviadas por Andréa. Também foram juntados 15 DVDs, alguns deles com imagens que, segundo o advogado, mostrariam uma postura agressiva da vítima. "A irmã da vítima declarou à imprensa que Andréa não brigava com ninguém, era uma santinha. Chegou para a gente que ela havia agredido muitas pessoas. Nós vamos demonstrar que a vítima era Evandro. Nós não temos medo das provas. Não vamos admitir cerceamento de defesa. Não vou admitir um julgamento injusto, com cerceamento de defesa", disse ele.

Publicidade

O advogado disse ainda que até a data do julgamento, o seu cliente pretende continuar foragido. "Antes (do julgamento) ele não vai se apresentar. Vai ficar preso?  A prisão é ilegal. Ele não foi julgado, não foi condenado à prisão", disse ele. Na opinião do promotor Rodrigo Merli, a adiamento foi claramente uma manobra da defesa para ganhar tempo.

"Era o que a defesa queria, ficou bem evidente. Eu só recebi as novas provas dois dias antes do júri e ainda assim, esse material precisaria de perícia. O correto mesmo seria nós realizarmos o júri hoje sem essa prova que é ilegítima. Quem é inocente não fica quatro anos e meio esperando o momento do júri para apresentar a sua prova da inocência", disse ele. 

O promotor contou ainda que vai insistir com a divisão de caputuras para que o réu seja localizado o quanto antes. "Não sei se ele estava por perto, mas uma coisa eu garanto. Vou ficar como eu fiquei no caso Mizael, o dia inteiro enchendo a paciência da divisão de capturas. Mais cedo ou mais tarde nós vamos pegá-lo. Tenho certeza que ele estava ontem no escritório do seu advogado. Para mim isso é crime. O advogado não está obrigado a dizer onde o cliente está, mas não pode dar guarida a um foragido da Justiça", disse ele.

Para Merli, o adiamento do júri é antes de tudo uma postura desrespeitosa com a família da vítima. "Mais uma vez aquele que se vale da própria torpeza, leva vantagem. A gente dá murro em ponta de faca. No Brasil, parece que o crime compensa. Está na hora de as pessoas acordarem", afirmou. 

Publicidade

O crime

Andréa morreu após cair da janela do terceiro andar do prédio onde morava, em Guarulhos, enquanto o menino foi internado com uma fratura do maxilar, após cair sobre a marquise da edificação.  

Entre as testemunhas que serão ouvidas pelo juiz está o filho de Evandro, L.M.N, hoje com 10 anos. Ele será ouvido em sigilo. No momento do depoimento, o plenário será esvaziado. Na época do crime, ele foi ouvido por delegado, um promotor, uma psicóloga e uma assistente social. O garoto chegou a desenhar um homem com uma faca na mão e uma mulher com uma criança no colo. Relatou ainda uma briga entre o casal.

Em 2010, usando peruca, barba falsa, óculos escuros e bigode, Evandro negou participação na morte da ex-mulher, durante uma entrevista coletiva no escritório de seu advogado. Naquele ano, o inquérito policial apontou Corrêa como o autor do crime. A Justiça decretou a prisão preventiva dele no final de 2008, mas como ele nunca apresentou à Justiça, é considerado foragido.

Ele aproveitou a lei que impede prisões em período eleitoral para dar sua versão do caso em São Paulo. O disfarce foi usado para que ele não fosse reconhecido na cidade onde morava, em um Estado do Nordeste. Na ocasião, o pagodeiro reafirmou que a ex-mulher se jogou com o filho do apartamento depois de uma discussão. 

Publicidade
Fonte: Terra
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações