O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, criticou as tarifas adicionais de 25% confirmadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e classificou como "inaceitáveis" e "ofensivas" as recentes declarações do secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Em pronunciamento à imprensa nesta quinta-feira (16), o chanceler afirmou que as medidas adotadas por Washington tiveram "motivação política" e "não têm lastro na realidade".
"As investigações da Seção 301 são procedimentos unilaterais do governo dos EUA e não há justificativa para a adoção de tarifas contra os produtos brasileiros. Desde março de 2025, o governo brasileiro manteve mais de 30 reuniões presenciais, virtuais ou por telefone, nos níveis presidencial, ministerial e técnico, com autoridades americanas. O Brasil está, portanto, negociando com os EUA desde antes do tarifaço original, anunciado em 2 de abril de 2025", declarou Vieira.
O ministro também recordou a carta divulgada no ano passado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual ameaçava impor novas tarifas ao Brasil. Segundo Vieira, as alíquotas foram elevadas para 50% por "expressa motivação política, em tentativa de interferência no Poder Judiciário brasileiro".
O chanceler ressaltou ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscou manter o diálogo com Washington e colocou o governo brasileiro à disposição para "negociar qualquer tema". Em seguida, rebateu as declarações de Rubio.
"Nesse sentido, as declarações do secretário de Estado, Marco Rubio, veiculadas na madrugada de hoje nas redes sociais a respeito das tarifas adotadas contra o Brasil são inaceitáveis e ofensivas ao povo brasileiro e ao governo brasileiro. Rubio ataca, de forma grosseira e arrogante, o chefe de Estado de um país amigo", afirmou.
Vieira também disse que as autoridades americanas se incomodam porque o Brasil "não se curvou às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações". Além disso, destacou que os Estados Unidos acumularam um superávit de US$ 424 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos.
Por fim, o chanceler classificou como "descabidas" as alegações de Washington sobre o PIX e como "absurdas" as acusações relacionadas ao desmatamento.
"O PIX é uma infraestrutura pública de pagamentos criada pelo Banco Central e está disponível a todas as instituições financeiras que atuam no Brasil. Não é sério falar em competição desleal gerada pelo PIX. As acusações sobre desmatamento também são absurdas. Desde 2022, reduzimos significativamente o desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Todas as alegações dos norte-americanos para justificar a aplicação de tarifas não têm lastro na realidade", concluiu. .