Lula e Flávio Bolsonaro travam confronto em eleições de alta tensão no Brasil

Eleitores vão às urnas no domingo (4), após debate de TV ser cancelado

2 out 2026 - 14h14
(atualizado às 14h27)
Resumo
Em clima de extrema tensão e sem debates na TV, Lula e Flávio Bolsonaro disputam a presidência do Brasil, com pesquisas indicando um provável segundo turno acirrado. O pleito é marcado por insultos mútuos e pelo receio de violência política e de não reconhecimento do resultado por Donald Trump, que já motiva apurações da PGR sobre ingerência externa. O alerta de segurança em Brasília já levou embaixadas a adotarem medidas preventivas contra potenciais tumultos e ameaças na capital.

O Brasil está em uma encruzilhada: o gigante da América Latina vai às urnas no próximo domingo (4) em meio a um clima acalorado e a um confronto direto entre o atual ocupante do cargo, o progressista e católica Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, e o desafiante, uma nova figura da direita "trumpista", o evangélico Flávio Bolsonaro, de 45 anos, filho mais velho de Jair, ex-presidente que atualmente cumpre prisão domiciliar.

A tensão é elevada, alimentada pelo temor de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se recuse a reconhecer os resultados da eleição e de que a situação possa degenerar em confrontos de rua entre as duas facções.

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Não há diálogo entre os dois candidatos - apenas insultos. Tanto que, pela primeira vez na história da democracia brasileira, o tradicional debate televisivo, geralmente transmitido ao vivo pela Globo, a emissora mais assistida do país, foi cancelado.

Em vez de se enfrentarem na televisão, os dois vêm trocando ataques à distância. "Vil, covarde", disparou Flávio Bolsonaro. "Desqualificado; você não tem passado nem futuro", rebateu Lula.

Se nenhum dos candidatos obtiver a maioria dos votos no domingo, um segundo turno será realizado três semanas depois, em 25 de outubro. No momento, esse parece ser o cenário mais provável: segundo a última pesquisa Datafolha, Lula registra 45% e Flávio, 40% dos votos válidos no primeiro turno.

No entanto, os demais candidatos, de menor expressão eleitoral tendem à direita, sugerindo um empate técnico no decisivo segundo turno. O 40º presidente do Brasil poderá, assim, ser eleito por uma margem mínima de votos.

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Essa profunda incerteza quanto ao resultado final já está contaminando o clima político e social. Há receio de reviver os dias dramáticos que se seguiram à votação de janeiro de 2023, quando apoiadores de Jair Bolsonaro e outros extremistas atacaram e vandalizaram prédios públicos em Brasília, em uma tentativa violenta de derrubar o presidente democraticamente eleito.

Desta vez, uma das grandes incógnitas é a postura de Washington. Muitos se perguntam se Trump ? caso seu candidato de preferência seja derrotado ? aceitará o resultado da eleição.

Tentativas de interferência dos EUA na campanha e supostos financiamentos americanos à extrema-direita já estão sendo investigados pela Procuradoria-Geral da República.

Lula tem falado abertamente sobre isso: "O Brasil está mais do que pronto para agir caso os Estados Unidos e outros países da região não reconheçam a vitória de domingo", afirma ele repetidamente em seus comícios.

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No entanto, preparativos para o pior cenário já estão em andamento em Brasília: funcionários da embaixada dos EUA foram orientados a não comparecer presencialmente ao trabalho após uma ameaça recebida pela missão diplomática.

Embora a natureza da ameaça não tenha sido divulgada, um e-mail foi enviado à equipe determinando o trabalho remoto durante todo o dia.

A Austrália também decidiu fechar sua embaixada por motivos de segurança, citando risco de terrorismo às vésperas das eleições.

Paralelamente, um alerta de bomba foi acionado na capital brasileira depois que um homem arremessou uma mochila em direção a um ponto de ônibus próximo ao prédio do Supremo Tribunal Federal.

Entretanto, tratou-se de um alarme falso, tendo em vista que a bolsa continha apenas roupas. Ainda assim, o episódio sinaliza uma preocupação crescente com o que poderá acontecer nas próximas semanas. 

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