Troca de nome da Rua Peixoto Gomide avança na Câmara Municipal de SP; político matou a própria filha

PL de autoria das vereadoras Luna Zarattini (PT) e Silvia da Bancada Feminista (PSOL) foi aprovado na CCJ; proposta é rebatizar a via com o nome da vítima, Sophia Gomide

12 mar 2026 - 19h11

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal de São Paulo aprovou na última quarta-feira, 11, o projeto de lei (PL 482/2025) que propõe a troca do nome da Rua Peixoto Gomide, localizada nos bairros Bela Vista e Jardim Paulistano, na região central da capital paulista.

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O nome atual da via homenageia o político Francisco de Assis Peixoto Gomide Júnior, que, em janeiro de 1906, matou a própria filha, Sophia Gomide, às vésperas do casamento dela. Peixoto Gomide, então senador por São Paulo, suicidou-se em seguida.

A votação na CCJ foi aprovada por sete votos. O vereador Lucas Pavanato (PL) foi o único parlamentar a se posicionar de forma contrária, enquanto o vereador Sansão Pereira (Republicanos) se absteve.

Na prática, a CCJ aprovou o parecer de legalidade, que analisa se o projeto é, ou não, compatível com a legislação. Com o aval da comissão, o texto poderá seguir para votação em plenário.

Projeto de lei propõe troca do nome da Rua Peixoto Gomide, que homenageia político que matou a própria filha, para Sophia Gomide, vítima do crime
Projeto de lei propõe troca do nome da Rua Peixoto Gomide, que homenageia político que matou a própria filha, para Sophia Gomide, vítima do crime
Foto: Google Maps/Reprodução / Estadão

O PL é de autoria das vereadoras Luna Zarattini (PT) e Silvia da Bancada Feminista (PSOL). A proposta determina que a rua seja rebatizada com o nome da vítima, Sophia Gomide. Segundo as parlamentares, o objetivo é promover uma "reparação histórica".

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"O presente projeto de lei tem como finalidade promover reparação histórica e conceder a devida dignidade à memória de Sophia Gomide, mulher que foi brutalmente assassinada pelo próprio pai, Francisco de Assis Peixoto Gomide Júnior", afirmam as vereadoras na justificativa da proposta.

Em 1914, a Câmara Municipal homenageou o senador ao aprovar um projeto que batizou uma das travessas da Avenida Paulista com o nome de Peixoto Gomide. "Sophia sequer foi citada ou recebeu qualquer homenagem", dizem as parlamentares.

Como base histórica para a elaboração do PL, Luna Zarattini e Silvia da Bancada Feminista utilizaram o estudo da pesquisadora Maíra Rosin, que fez um levantamento de ruas batizadas com nomes de homens que assassinaram mulheres de seus respectivos círculos, como esposas, amantes e filhas.

"A pesquisadora traz à luz algumas ruas que levam essas homenagens a feminicidas — mesmo que, à época, o crime não fosse tipificado dessa forma. Uma delas é a Rua Peixoto Gomide, que fica no coração da cidade de São Paulo", acrescentam as vereadoras no projeto.

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Os motivos que levaram ao crime são incertos. De acordo com a pesquisadora, em trecho citado no PL, jornais da época atribuíram o assassinato a "uma alucinação" de Peixoto Gomide e relataram que alguns sintomas da condição já teriam se manifestado dias antes.

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