Os moradores de Mairiporã, na Grande São Paulo, que tiveram imóveis atingidos pelo rompimento de um reservatório da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) na última quarta-feira, 11, deverão receber R$ 2 mil, informou a prefeitura da cidade nesta quinta-feira, 12. O valor será pago pela Sabesp e será para ressarcir urgências pontuais, como remédios e alimentação. O Estadão busca contato com a companhia.
Na quarta-feira, uma caixa d'água da Sabesp rompeu e deixou um rastro de destruição na cidade. Um homem de 44 anos foi encontrado já sem vida dentro de um contêiner. Ele era funcionário de uma empresa terceirizada pela companhia de saneamento. Outras nove pessoas ficaram feridas e foram encaminhadas para o Hospital Anjo Gabriel (Mairiporã) e para o Hospital Albano (Franco da Rocha). Duas delas permanecem internadas, informou a prefeitura.
O município decretou nesta quinta situação de emergência nos bairros Jardim Nery e Capoavinha, afetados pelo rompimento. A ação tem vigência de 180 dias e autoriza a mobilização integral dos órgãos municipais para resposta emergencial, assistência humanitária e recuperação das áreas atingidas.
Até o momento, 25 famílias seguem acompanhadas pela assistência social municipal, totalizando cerca de 80 pessoas deslocadas. Parte das famílias permanece acolhida em hotéis, com custeio assumido pela Sabesp, enquanto outras seguem em casas de familiares.
A decisão pelo pagamento dos R$ 2 mil foi informada nesta quinta após reunião entre os moradores dos bairros atingidos e a companhia de saneamento. Uma equipe da empresa presta atendimento aos moradores em uma van instalada no local. As equipes farão o cadastro dos atingidos e estão disponíveis para dúvidas pontuais.
Durante a madrugada, cerca de 60 técnicos participaram do trabalho de limpeza das ruas e casas. As equipes de Defesa Civil e de outras áreas da prefeitura também realizam atendimento na região.
Conforme investigações preliminares da Polícia Civil de São Paulo, o rompimento pode estar relacionado a um trator que fazia manobras no local. "O trator estava trabalhando nas proximidades da caixa d'água e pode ter atingido a base (da construção). Mas tudo depende da perícia", disse Aldo Galiano, do Departamento de Inteligência da Polícia Civil.
A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), responsável pela regulação e fiscalização dos serviços de saneamento, vai apurar as causas técnicas do acidente e as circunstâncias que envolveram a realização de testes no local.
Ao falar ao Estadão na quarta-feira, Roberval Tavares, diretor de Engenharia e Inovação da Sabesp, adotou um tom cauteloso. "Estamos construindo uma caixa d'água de 2 milhões de litros nas etapas de teste. Estávamos subindo o nível de água. É só isso que sabemos até o momento. Toda investigação será feita. Ainda não dá para saber a natureza da falha", disse.
Em nota divulgada logo após o rompimento, a Sabesp lamentou a morte do colaborador e informou que mobilizou equipes operacionais e de assistência social para apoiar os afetados desde os primeiros momentos e que acompanhava diretamente a situação. / COM AGÊNCIA BRASIL