O restaurante que foi cenário de uma tragédia aérea em Capão da Canoa, no Litoral Norte gaúcho, voltou a ser foco de criminalidade menos de 24 horas após o acidente. Aproveitando um intervalo de apenas 20 minutos durante a troca de turnos da segurança, criminosos invadiram os escombros do estabelecimento e furtaram itens que sobreviveram à explosão, como panelas, coifas e micro-ondas. Surpreendentemente, até pedaços da aeronave Piper Jetprop DLX foram levados pelos invasores.
O proprietário, Douglas Roos, relatou o sentimento de perplexidade ao ver o local ser saqueado enquanto a família ainda processava o luto e a destruição do negócio, que opera desde 2014. Segundo ele, o restaurante só não estava lotado no momento da queda devido a uma decisão de última hora de adiar a reabertura para reformas; caso contrário, mais de dez pessoas estariam no recinto. Após o furto, a prefeitura municipal estabeleceu vigilância 24 horas para preservar a área para as investigações do Cenipa e da Polícia Civil.
Vítimas e Investigação
O acidente, ocorrido durante um voo de demonstração para venda da aeronave, resultou na morte de todos os quatro ocupantes:
Déborah e Luis Antonio Ortolani: Casal de empresários do setor têxtil, naturais de Ibitinga (SP) e residentes em Xangri-lá.
Renan Saes: Sócio da empresa de aviação Peluzzi Aviation.
Nelio Pessanha: Piloto da aeronave.
Relatos da Brigada Militar indicam que o avião voava em baixa altitude antes de perder sustentação e colidir contra um poste e, sequencialmente, o restaurante. Os corpos já foram liberados pelo IGP e os atos fúnebres ocorrem em cidades do Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro. Enquanto o Cenipa trabalha na análise técnica dos componentes do motor e da fuselagem, a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar eventuais responsabilidades criminais pela queda e pelo furto subsequente.