A Prefeitura de São Paulo informou nesta quinta-feira, 17, que criou um grupo para analisar os elementos da Operação Vectura Corrupta, realizada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), deflagrada nesta quinta e avaliar uma possível intervenção na empresa A2, citada na denúncia.
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O grupo reúne representantes da Procuradoria-Geral do Município (PGM), Controladoria-Geral do Município (CGM), SPTrans e Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT). A determinação partiu do prefeito Ricardo Nunes.
Segundo a Prefeitura, serão analisados contratos, documentos e eventuais vínculos da empresa com o sistema municipal de transporte. A administração afirma que poderá adotar medidas administrativas e judiciais para proteger o interesse público e garantir a continuidade do serviço.
Em nota, a Prefeitura afirmou ainda que seguirá o mesmo procedimento adotado em 2024, quando interveio na Transwolff e, por iniciativa própria, também na UPBus, sem solicitação da Justiça.
Na época, a Controladoria-Geral do Município abriu processos contra as duas empresas e a administração encerrou os contratos. Desde então, segundo a Prefeitura, o município atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil nas investigações.
A administração municipal ressaltou que Transwolff e UPBus não fazem parte atualmente do sistema de transporte da cidade. A Prefeitura afirmou ainda que a operação desta quinta-feira “reforça a gravidade dos fatos apurados” e que não compactua com irregularidades. O serviço de transporte público municipal segue normalmente nesta quinta-feira, segundo a administração.
Operação Vectura Corrupta
A investigação aponta que decisões sobre empresas de transporte suspeitas de ligação com o PCC dependeriam do conhecimento ou da aprovação de Milton Leite, segundo informações da GloboNews. Operadores foram interceptados pela investigação, além de elementos de outras investigações relacionadas ao papel do ex-vereador no esquema.
No pedido da operação, Milton Leite é citado como responsável direto pela operação de empresas que seriam controladas pela facção. O documento também tem declarações de policiais militares em procedimento no Tribunal de Justiça Militar, segundo as quais ele seria o dono de fato da Transwolff.
Milton Leite deixou a vida pública no ano passado, após sete mandatos como vereador, e ter presidido a Câmara Municipal quatro vezes. Ele é presidente do União Brasil em São Paulo e, em julho, foi eleito presidente estadual da Federação União Progressista (UP), formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP).
Investigação
A Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes revelou diferentes núcleos estratégicos de uma organização criminosa envolvida com lavagem de dinheiro e infiltração de integrantes na política. A operação Vectura Corrupta é realizada para desmantelar o esquema. Até as 8h30 desta manhã, nove suspeitos foram presos.
Segundo a Polícia Civil, a maioria dos alvos exerce função de liderança dentro da facção. Durante as investigações, foram identificados advogados e políticos que integravam a estratégia criminosa.
A ação é um desdobramento da Operação Dercúrio, deflagrada em agosto de 2024 contra um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. Na época, os trabalhos revelaram uma complexa rede de comunicação usada pela facção para manter contato entre integrantes presos e em liberdade, com núcleos denominados “Sintonia Restrita” e “Sintonia dos Gravatas”, além de projetos para lançar integrantes como candidatos nas eleições municipais.
Durante a apuração, também foi descoberto o uso de pelo menos 12 empresas de transporte coletivo de passageiros na capital e no interior, com participação ativa de parte dos investigados. Há indícios de que os negócios eram usados para lavar dinheiro do crime.