Operação mira esquema de fraude em licitações de transporte escolar no Litoral Norte, Região Metropolitana e SC

Ação da Polícia Civil cumpriu duas prisões e apreendeu dinheiro em espécie, veículos e imóveis; contratos sob suspeita em Gravataí somam R$ 15,6 milhões

17 set 2026 - 12h25
Resumo
A Polícia Civil deflagrou a Operação Última Parada para desarticular um esquema de fraudes em licitações de transporte escolar no RS e em SC. Com foco em nove contratos com a Prefeitura de Gravataí — que somam mais de R$ 15,6 milhões —, a ação cumpriu dois mandados de prisão e 13 de busca, apreendendo dinheiro, bens de luxo e imóveis. O grupo simulava concorrência com empresas de fachada e combinava lances. A prefeitura afirmou que também foi lesada e lançará novo edital neste mês.

A Polícia Civil deflagrou na manhã desta quarta-feira a Operação Última Parada, com o objetivo de desarticular um esquema criminoso especializado em fraudar licitações públicas destinadas ao transporte escolar. A ofensiva mobilizou cerca de 60 agentes em diligências simultâneas em Porto Alegre, Gravataí, Cachoeirinha, Eldorado do Sul, Imbé, Capão da Canoa e Florianópolis (SC).

Foto: Policia Civil / Divulgação / Porto Alegre 24 horas

Ao todo, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e duas ordens de prisão temporária contra os apontados como articuladores do núcleo empresarial. O Poder Judiciário autorizou ainda o sequestro de 12 imóveis, o bloqueio de oito veículos — incluindo um modelo da marca Volvo — e a apreensão de uma embarcação pertencente aos alvos.

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Durante as buscas nos endereços, os policiais recolheram aproximadamente R$ 251,6 mil, 500 dólares e 1.490 euros em espécie, além de dispositivos eletrônicos (três iPhones, dois Apple Watches e dois pendrives), três relógios de luxo e farta documentação corporativa.

As apurações, conduzidas pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública (Dercap), apontam que o grupo utilizava múltiplas empresas com os mesmos controladores de fato para simular concorrência e direcionar o resultado dos certames. O foco das apurações recai sobre nove contratos de transporte escolar firmados com a Prefeitura de Gravataí. Apenas as contratações emergenciais mais recentes, celebradas por dispensa de licitação em 2026, totalizam mais de R$ 15,6 milhões.

Entre as irregularidades mapeadas, identificou-se que a pessoa jurídica contratada não executava as rotas; a divergência veio à tona após motoristas cobrarem salários em atraso na porta de uma empresa distinta daquela que assinava o contrato formal. O grupo também criava empresas de fachada e alterava registros societários para driblar auditorias e anulações de órgãos de controle. Mensagens eletrônicas apreendidas corroboram o ajuste prévio de lances e valores.

Os suspeitos são investigados por frustração do caráter competitivo de licitação, fraude processual e contratual, organização criminosa, falsidade ideológica, uso de documento falso e lavagem de capitais. Em posicionamento oficial, a Prefeitura de Gravataí afirmou que também se considera lesada pelas eventuais fraudes e anunciou que publicará um novo edital de licitação ainda neste mês de setembro.

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