Os três sócios da academia C4 Gym, indiciados pela morte da professora Juliana Basseto, 27, após passar mal durante uma aula de natação, tentaram manipular as investigações sobre a intoxicação, informou a Polícia Civil de São Paulo nesta quinta-feira, 12.
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De acordo com o delegado Alexandre Bento, do 42º Distrito Policial (DP) de São Lucas, na zona leste da capital, os sócios Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração foram 'displicentes no atendimento às vítimas' e ainda teriam tentado 'dificultar as investigações'.
Na última quarta-feira, 11, o delegado pediu o indiciamento dos três sócios por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar. Além da morte de Juliana, outras quatro pessoas, que também frequentaram a aula de natação, está internadas. A polícia pediu, ainda, a prisão temporária dos suspeitos, mas a Justiça ainda não se manifestou.
A suspeita é de que as vítima tenham entrado em contato com gases tóxicos, gerados por produtos químicos usados na limpeza da piscina.
"No mesmo momento em que os médicos declaravam o óbito de Juliana em um hospital no ABC Paulista, um dos sócios orientava um funcionário a comparecer à empresa a fim de tentar dissipar os gases e descaracterizar a cena do crime", disse o delegado.
Alexandre Bento também destacou que ao tomarem conhecimento sobre os acontecimentos, os sócios "nada fizeram pelas vítimas" e teriam demonstrado "completa impassividade".
"Pelo contrário, buscaram preservar a empresa e dificultar as investigações, na medida em que simplesmente orientaram os funcionários a fecharem a empresa e deixarem o local", afirma.
"Entendendo que os investigados, pelos motivos acima expostos, assumiram o risco do resultado morte, ao dispensarem o auxílio de profissional com habilitação e capacidade técnica, por egoísmo e ganância, visando apenas e tão somente à redução dos custos", acrescentou.
Ainda segundo a autoridade policial, os sócios tentaram manipular o depoimento do funcionário Severino Silva, 43, responsável pela mistura de produtos para a limpeza da piscina. Ele não teria formação técnica necessária para a função e, à polícia, revelou que era instruído sobre a mistura pelo WhatsApp.
Severino afirnou, também, que Celso Bertolo Cruz teria apagado mensagens com as instruções sobre os procedimentos adotados. À polícia, o sócio confirmou ter apagado, alegando que o conteúdo se referia apenas a medições e dosagens de cloro, sem orientações irregulares.
A polícia aguarda o laudo necroscópico da professora, além dos laudos pericial realizado na academia e químico das amostras da água e dos produtos utilizados por Severino, para confirmar as causas da morte da professora e das internações das demais vítimas.
O Terra tenta contato com as defesas dos sócios da academia. O espaço segue aberto para manifestação.
*Com informações de Estadão Conteúdo.