Operação Ápate mira estelionato contra idoso que perdeu mais de R$ 700 mil no RS e em SC

Vítima de 76 anos foi enganada com falsas cobranças para regularizar processo ambiental; bens e contas foram bloqueados pela Justiça

4 set 2026 - 10h34
Resumo
A Polícia Civil deflagrou a Operação Ápate contra um esquema de estelionato que causou prejuízo superior a R$ 700 mil a um produtor rural idoso de Pinhal Grande (RS). A golpista simulava prestar assessoria jurídica para resolver uma pendência ambiental já suspensa, exigindo pagamentos contínuos entre 2022 e 2025. A ação cumpriu mandados no RS e em SC, apreendendo veículos, documentos e bloqueando bens e contas de parentes usados como laranjas para tentar ressarcir a vítima.

A Polícia Civil deflagrou na manhã desta quinta-feira (3) a Operação Ápate, que combate um esquema prolongado de estelionato praticado contra um produtor rural idoso, de 76 anos, morador de Pinhal Grande. O prejuízo financeiro acumulado pela vítima supera os R$ 700 mil. Ao todo, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão nos municípios de Santa Maria, Faxinal do Soturno e Chapecó (SC).

Foto: Polícia Civil (Divulgação) / Porto Alegre 24 horas

O Poder Judiciário também acolheu a representação policial e ordenou a indisponibilidade de bens, bem como o bloqueio cautelar de contas e ativos financeiros ligados aos investigados para assegurar a restituição patrimonial da vítima.

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De acordo com as apurações, o golpe começou a ser articulado por uma mulher residente em Faxinal do Soturno. Ela se aproximou do idoso ofertando suposta assessoria jurídica e burocrática para encerrar uma pendência por infração ambiental. A partir daí, passou a inventar despesas fictícias e exigir valores vultosos, alegando a necessidade de quitar penalidades perante a Fepam, custos processuais no Ministério Público e despesas com deslocamentos. No entanto, o procedimento ambiental estava oficialmente suspenso desde meados de 2022 em razão de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

Dinâmica dos repasses e patrimônio retido:

Pagamentos sistemáticos: Entre 2022 e 2025, o idoso emitiu cheques, fez saques em dinheiro e efetuou transferências bancárias, vendendo safras inteiras de sua colheita para levantar a quantia exigida pelos golpistas.

Rede de laranjas e bens: A quebra de sigilo financeiro revelou que os valores eram redistribuídos para contas bancárias de parentes da suspeita, sendo utilizados na compra de bens pessoais de alto valor.

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Apreensões na operação: Durante as buscas, foram recolhidos telefones celulares, contratos, extratos e dois automóveis — um localizado em Santa Maria e outro na cidade catarinense de Chapecó —, ambos registrados em nome de parentes diretos da investigada.

A ofensiva foi coordenada pela Delegacia de Polícia de Pinhal Grande, sob a liderança da delegada Débora Dias, com apoio técnico e operacional da Dpicoi e da 4ª DP de Santa Maria, além de agentes de Faxinal do Soturno e da Polícia Civil de Santa Catarina. O inquérito prossegue para rastrear o fluxo integral dos recursos e averiguar se a quadrilha vitimou outros produtores rurais da região.

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