Gustavo Munis de Santana, de 20 anos, foi morto após ser atingido por 27 tiros durante uma abordagem da Polícia Militar na zona sul de São Paulo. Ao todo, quatro policiais dispararam 45 vezes após o jovem, em suposto surto e desarmado, apontar um celular escuro na direção dos agentes. A família contesta a versão policial de conduta criminosa, destacando que ele fazia uso de antidepressivos e não tinha antecedentes. A Secretaria da Segurança Pública investiga a conduta dos agentes envolvidos.
Um jovem de 20 anos foi morto após ser baleado durante uma abordagem feita por policiais militares na madrugada deste sábado, 10, no Planalto Paulista, próximo de Moema, zona sul de São Paulo. As armas dos policiais e o celular da vítima, identificada como Gustavo Munis de Santana,foram apreendidos para perícia. A Secretaria da Segurança Pública do Estado do Estado (SSP) afirma que investiga o caso.
Conforme o boletim de ocorrência, obtido pela reportagem do Estadão, quatro policiais dispararam um total de 45 tiros. Do total, 27 atingiram a vítima.
Em entrevista ao SBT sob a condição de anonimato, a irmã do jovem negou que ele estivesse armado. "Eles estão tentando tachar meu irmão como se ele estivesse tentando roubar; como se ele estivesse tentando fazer alguma coisa errada ou como se o meu irmão estivesse armado. E nada disso é verdade", disse a mulher.
De acordo com a SSP, as polícias Civil e Militar investigam as circunstâncias da morte. O caso foi registrado no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
"A conduta dos agentes será apurada por meio de Inquérito Policial Militar (IPM). A SSP não tolera desvios de conduta dos seus agentes e em caso de eventuais irregularidades, os responsáveis serão punidos com rigor", disse.
Dinâmica da ocorrência
Conforme boletim de ocorrência, a policia foi acionada por volta das 3h da madrugada de sábado, 10, para a Avenida Moreira Guimarães, na altura do número 1.285, onde fica uma passarela. Conforme a denúncia, um rapaz estaria "transtornado" e ameaçando a efetuar um disparo contra si.
O jovem era Gustavo Munis de Santana. Na versão relatada à Polícia Civil, o rapaz apresentava "postura ameaçadora" e ficava "colocando a mão na cintura". Com a chegada da PM, que mobilizou inicialmente uma viatura, Gustavo teria corrido, atravessado a passarela e se abrigado em um imóvel na Alameda dos Guaramomis.
Para contê-lo, outras três viaturas foram descoladas para a ocorrência. Conforme o registro, p rapaz teria saído de uma área escura do imóvel, corrido em direção aos policiais com os braços estendidos e apontado "para um objeto escuro".
Os PMs, então, abrem fogo e disparam contra Gustavo. Foram 45 tiros - todos com pistolas calibre .40 da corporação - efetuados por quatro policiais diferentes, segundo a perícia. As quatro armas usadas foram apreendidas.
Do total, pelo menos 27 atingiram o rapaz, que morreu no local. Segundo o boletim de ocorrência, o objeto preto para qual ele apontava era um aparelho celular.
A dinâmica da ocorrência foi registrada pelas câmeras corporais dos agentes. As informações preliminares colhidas pela perícia horas depois do crime, apontam que os dispositivos mostram Gustavo vindo de uma área escura junto à fachada de um imóvel, e estende os braços apontando algo na direção da rua antes de os policiais abrirem fogo.
A perícia indicou também que o jovem morava com a mãe e com a irmã, fazia tratamento com uso de antidepressivos e não possuía antecedentes criminais. Dele, foi apreendido apenas o celular.